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Governo do ES e exportadores comemoram retirada de tarifas sobre café

Governo dos Estados Unidos publicou, na noite de quinta-feira (20), uma ordem executiva retirando a taxa de 40% imposta em agosto sobre alguns produtos do agro brasileiro

Publicado em 21 de Novembro de 2025 às 12:09

Leticia Orlandi

Publicado em 

21 nov 2025 às 12:09
A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as tarifas de 40% de importação de café, carne, frutas e outros produtos brasileiros do agro foi celebrada pelo governo do Espírito Santo e exportadores de café, que destacam a retomada da competitividade no mercado norte-americano, tanto do grão quanto dos demais produtos do agro.
A medida é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro e foi publicada menos de uma semana depois de outra decisão da Casa Branca ter retirado a tarifa de 10% imposta em abril a todos os países. Com as duas medidas, fica zerada a taxa para os produtos do agro brasileiro entrarem nos Estados Unidos.
A alteração também é uma boa notícia para o Espírito Santo, uma vez que os EUA são os maiores compradores das exportações de café capixaba (confira mais dados abaixo). Mesmo assim, ainda há preocupação pelo fato de o café solúvel, que representa um volume importante de exportação, permanecer com taxas de 40%.
Contêineres
Contêineres no pátio do Porto TVV em Via Velha Crédito: Carlos Alberto Silva
O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, afirmou ser uma boa notícia para comemorar. "Os Estados Unidos reduziram as tarifas para produtos brasileiros e, no caso do café, a taxação foi zerada. Isso fortalece nossa competitividade no mercado americano. O café capixaba premiado ganha ainda mais espaço lá fora, e os nossos produtores celebram mais uma vitória para a economia do Espírito Santo", disse.
O secretário de Estado de Agricultura, Enio Bergoli, também celebrou a volta da normalidade para as exportações do agro capixabas. "O impacto aqui para o Espírito Santo é extremamente relevante, porque somos o maior exportador de café conilon do país, de mamão, gengibre e pimenta-do-reino e, agora, voltamos a uma normalidade. Nós exportamos aqui do Espírito Santo para 125 países todos os anos, mas cerca de 23% das gerações de divisas são relacionadas ao mercado norte-americano", lembrou.
O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, também manifestou satisfação com a medida, lembrando que a tarifa de 40% sobre o café verde vinha colocando o país em condições extremamente desvantajosas e muito preocupantes em relação ao futuro.
Ferreira destacou que a remoção das tarifas impediu uma queda potencial de aproximadamente 3 bilhões de dólares na balança comercial brasileira em um ano. Apesar da vitória no café em grão, Ferreira já direcionou o foco para a próxima meta: a remoção das tarifas sobre o café solúvel, um setor que ele considera vital para a geração de empregos e valor agregado.
Sobre o cenário econômico, Ferreira lembrou que os Estados Unidos representam um mercado de aproximadamente 2 a 2,5 bilhões de dólares para as exportações de café do Brasil. No entanto, nos três meses que antecederam a decisão, as exportações brasileiras para o país já haviam caído 50%. Ele afirma que com a queda da tarifa para zero para outros países produtores, a perspectiva era de que o Brasil perdesse mais 30% do mercado, totalizando uma perda de 80%, o que implicaria uma queda de cerca de 2 bilhões de dólares na balança comercial apenas com os EUA.
Além disso, Ferreira estimou um prejuízo adicional de 1 bilhão de dólares no espaço de 12 meses sobre o restante das exportações mundiais (32 milhões de sacas), devido à pressão por diferenciais de preços mais agressivos para manter a presença nos mercados. A ausência de café brasileiro nos blends americanos era outra grande preocupação, já que os estoques nos Estados Unidos tinham chegado a zero
"Nós temos uma tarefa pela frente, que é ainda a questão do café solúvel, porque ele representa 10% das exportações brasileiras. De tudo que a gente embarca para os Estados Unidos, 90% é café verde e 10% solúvel. O solúvel, não só para o Brasil, mas para outras origens, continua tarifado. Estamos trabalhando para que sejam retiradas também as tarifas sobre o solúvel, que inclusive é gerador de emprego. Costumo dizer que, para cada emprego gerado pelo café em grão, três ou quatro são gerados pelo café solúvel; o valor agregado é maior, obviamente, por ser produto final acabado", diz Ferreira.
Já o diretor-geral do Cecafé, Marcos Mattos, lembrou da preocupação com a retirada das tarifas recíprocas de 10% na semana passada, o que acabou ameaçando o café brasileiro a perder mercado nos Estados Unidos, visto que os principais concorrentes estavam sem sobretaxas — cenário que muda a partir de agora.
"Nós vamos conseguir com isonomia buscar recuperar os espaços perdidos nos blends e retomar todos os contatos comerciais com os nossos importadores. Temos todas as condições para reduzir todos os impactos — impactos esses que poderiam ser incalculáveis e irreparáveis. Então, nós vamos correr para minimizá-los, para reduzir esse impacto e em breve, retomaremos todas as nossas participações nos principais blends", destaca.
A entidade destacou ainda que diante de todos os esforços e ações de representatividade da diplomacia empresarial e econômica realizada pelo Cecafé, entende que a colaboração conjunta foi de fundamental relevância para a histórica vitória alcançada no dia 20 de novembro, a qual, segundo o Cecafé, resultará em benefícios a todo o agronegócio café brasileiro, ao setor industrial cafeeiro e aos consumidores norte-americanos.

Cenário era de queda no Espírito Santo

As exportações de café do Espírito Santo para os Estados Unidos sofreram uma queda significativa nos últimos meses, caindo pela metade após a implementação das tarifas adicionais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. Já a redução no produto solúvel foi um pouco menor.
Dados levantados pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) mostram que de agosto a outubro, quando estavam vigentes as tarifas de 10% e outros 40% adicionais que passaram a valer em agosto, o volume dos cafés em grãos — tanto arábica quanto conilon — enviado aos Estados Unidos teve redução de 54% na comparação com o mesmo período de 2024.

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