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Operação policial

Justiça bloqueia R$ 90 milhões do PicPay e de associação por suposta fraude contra servidores do DF

Caso envolve modelo de antecipação salarial com desconto em folha. Suspeita-se que eram cobradas taxas para camuflar descontos indevidos nos salários

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 10:47

Tiago Alencar

Publicado em 

19 jun 2026 às 10:47
Sede do PicPay em Vitória
Sede do PicPay em Vitória Fernando Madeira

O PicPay, empresa criada em Vitória e que se tornou uma das maiores fintechs do Brasil, aparece entre os alvos de uma investigação que apura supostos descontos irregularidades no salário de servidores públicos do Distrito Federal. As informações são do g1.


Cerca de R$ 90 milhões do aplicativo financeiro e da Associação de Servidores Públicos daquele ente federativo foram bloqueados pela Justiça. Além da empresa e da entidade ligada ao funcionalismo,  a operação deflagrada nesta sexta-feira (19) mira o Banco de Brasília (BRB), responsável pela folha de pagamento, a Secretaria de Economia do DF e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev).


A apuração, conduzida pelo Ministério Público e Polícia Civil do Distrito Federal, tem como foco um modelo de antecipação salarial oferecido a servidores. A suspeita é que o aplicativo financeiro cobrava taxas para camuflar descontos indevidos, que ocorriam desde 2024. A empresa nega irregularidades (veja explicação completa ao final do texto).


A investigação tem como alvo o diretor do PicPay Eduardo Chedid Simões, indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB que está preso.

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O que está sendo investigado

Segundo o g1, o assunto já vinha sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que apontou questionamentos sobre a modalidade de antecipação salarial oferecida aos servidores e determinou medidas para analisar a legalidade do modelo.


Agora, a operação busca aprofundar as apurações sobre essas transações e a participação das empresas envolvidas.


Entre as fraudes investigadas estão:


  • crime contra a economia popular
  • publicidade enganosa
  • manipulação de dados em sistemas do governo distrital
  • corrupção ativa e passiva
  • organização criminosa
  • lavagem de dinheiro

Crescimento acelerado

O caso coloca sob os holofotes uma empresa que nasceu no Espírito Santo e construiu uma trajetória de crescimento acelerado nos últimos anos.


Criado em 2012, em Vitória, o PicPay surgiu com uma proposta simples: permitir que pessoas transferissem dinheiro pelo celular de forma instântanea. Na época, ainda não existia o Pix. Quem precisava enviar dinheiro dependia principalmente de TEDs e DOCs, que podiam levar horas ou até dias para serem concluídos.


O aplicativo ganhou espaço justamente por oferecer uma alternativa mais simples para dividir contas, fazer pagamentos e transferir recursos entre usuários. Com o aumento da adesão, a empresa passou a ampliar sua atuação para outras áreas do mercado financeiro.


Ao longo dos anos, o PicPay deixou de ser apenas um aplicativo de pagamentos e passou a oferecer cartão de crédito, empréstimos, investimentos e outros serviços. O crescimento chamou a atenção da J&F Investimentos, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS.


Em 2015, o grupo adquiriu participação majoritária na empresa. A partir daí, o PicPay recebeu novos investimentos e acelerou sua expansão nacional, alcançando milhões de clientes em todo o país.


Outra investigação


Conforme A Gazeta reveleu em maio, o PicPay é investigado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por possíveis irregularidades na compra da seguradora Kovr, do grupo do Banco Master. A área técnica do órgão apura se houve prática de “gun jumping”, uma possível consumação antecipada do negócio e que pode resultar em aplicação de multa.

O que diz o PicPay

O PicPay tem afirmado que os serviços oferecidos aos servidores são contratados de forma voluntária e que a empresa atua de acordo com a legislação vigente. A companhia também informa que tem prestado os esclarecimentos solicitados pelos órgãos responsáveis pelas investigações.

Nota completa

"O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.


A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.


O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.


O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.


A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação."

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