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Produção de riquezas

PIB do ES cai 3,8% em 2019 e tem pior resultado do país

Sob influência da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, que derrubou a produção industrial capixaba, Espírito Santo apresentou pior PIB desde 2016

Publicado em 12 de Novembro de 2021 às 12:56

Caroline Freitas

Publicado em 

12 nov 2021 às 12:56
Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo apresentou queda de 3,8% em 2019, alcançando R$ 137,3 bilhões, sob influência da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, cujos efeitos derrubaram a produção industrial capixaba.
O resultado é o pior entre os Estados brasileiros, e ficou bem abaixo da média nacional (1,2%), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em conjunto com o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Não obstante, é o desempenho mais fraco da economia capixaba desde o ano de 2016.
Pilha de minério de ferro em pátio da Vale
Pilha de minério de ferro em pátio da Vale Crédito: Vale/Divulgação - GZ
O Espírito Santo foi responsável por 1,9% de todas as riquezas produzidas no país em 2019, uma ligeira redução em relação ao ano anterior (2%). 
Os dados mais recentes são referentes a 2019 porque são divulgados com uma defasagem de dois anos. Os dados referentes a 2021, por exemplo, só serão informados em 2023.
Apesar da perda de participação, a economia capixaba manteve a 14ª posição no ranking das Unidades da Federação. Em termos de PIB per capita, isto é, por habitante, ocupa a nona colocação.
Segundo avaliação do IBGE, a explicação para a queda de desempenho geral do PIB capixaba se deve à retração da extração de minério de ferro nas indústrias extrativas e reduções do valor adicionado nas indústrias de transformação, principalmente na fabricação de celulose e metalurgia.
Além disso, a bienalidade negativa do café afetou a agricultura do Estado, assim como o preço do grão, que apresentou redução naquela época.
Café arábica
Café Arábica produzido no ES Crédito: Ricardo Medeiros

PIB DO ES: DESEMPENHO POR SETOR

A queda na produção capixaba de riquezas em 2019 está ligada principalmente ao mau desempenho da Indústria, cujos resultados decaíram 15,9% naquele ano. A retração está ligada às quedas de 29,6% nas indústrias extrativas e 8,8% nas indústrias de transformação, respectivamente.
A indústria extrativa, atividade em que o Espírito Santo, particularmente, tem relevância nacional, foi o segmento cujas atividades tiveram maior redução de participação na economia capixaba, recuando de 14,9%, em 2018, para 9,9%, em 2019.
“O que explica essa queda? Tivemos uma menor produção de petróleo, mas, sobretudo, uma queda na produção de minério e isso foi decorrência da tragédia de Brumadinho, que impactou fortemente a atividade industrial no Espírito Santo. Isso trouxe muitas consequências negativas para nossa indústria, tanto que a Vale, que é um player mundial nesse setor, teve uma redução de produção em decorrência de trazer a matéria prima das minas que foram afetadas em Minas Gerais e que são fonte de insumos para a produção da empresa aqui”, observou o coordenador de Estudos Econômicos do IJSN, Antônio Rocha.
O diretor de Integração do IJSN, Pablo Lira, observa que, além desses fatores, devem ser observadas a maturação dos campos de petróleo no litoral capixaba, que vem se tornando mais perceptível ao longo dos anos, a reprogramação da produção de papel e celulose com o redirecionamento da produção para outras plantas nacionais da Suzano, que intensificou a produção no Espírito Santo somente a partir de 2020.
Por outro lado, os segmentos de Construção e Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação, apresentaram acréscimos de 6,6% e 0,4%, respectivamente.
A Agropecuária recuou 2,9% em volume e perdeu participação em relação ao total da economia capixaba, passando de 3,8%, em 2018, para 3,6%, em 2019.
“O efeito da nossa economia só não foi pior porque o setor de serviços e comércio apresentou um crescimento positivo de 1,6% no ano de 2019”, frisou Rocha.
O setor de Serviços, aliás, foi o único cuja participação na economia aumentou, saltando de 63,9% para 69,8%, entre 2018 e 2019. O bom resultado se deve às expansões em Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (2,2%), Atividades imobiliárias (3,0%) e Atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares (4,1%).

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