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Riscos

Tarifaço de Trump: setores temem ameaça a investimentos e empregos no ES

Setores do aço, petróleo e café estão entre os que mais exportam produtos para os Estados Unidos, sendo afetados diretamente pelas medidas previstas para o dia 1° de agosto

Publicado em 10 de Julho de 2025 às 15:34

Leticia Orlandi

Publicado em 

10 jul 2025 às 15:34
Data: 05/03/2012 - ES - Vitória - Navio da empresa MSC carregado de contêineres em direção ao TVV
Os EUA foram destino de 33,9% do que foi exportado pelo Estado, como aço e rochas ornamentais Crédito: Carlos Alberto Silva
A implementação da tarifa de 50% para produtos brasileiros entrarem nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump na quinta-feira (9), causou apreensão nos setores que mais negociam com o país norte-americano. Só neste ano, os EUA foram destino de 33,9% do que foi exportado pelo Espírito Santo, como aço, rochas ornamentais, celulose, minério e café. 
Previstas para entrar em vigor no dia 1º de agosto, as medidas impostas por Trump, se mantidas, são vistas pelo setores como uma ameaça a investimentos previstos para o Espírito Santo, bem como também podem acabar provocando desemprego.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer), Leonardo Cereza, o aumento da taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode retardar os investimentos no Espírito Santo, como o já anunciado pela Arcelor Mittal, empresa que pode ser diretamente prejudicada pelo tarifaço.
Tarifaço de Trump: setores temem ameaça a investimentos e empregos no ES
“Isso vai impactar toda a cadeia da indústria metalmecânica e elétrica do Estado. Estamos vendo tudo com muita preocupação”, disse Cereza, durante o Seminário de Excelência Industrial, promovido pelo sindicato nesta quinta-feira (10), em Vitória.
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) já havia se pronunciado sobre o assunto na noite de quarta-feira (9). Paulo Baraona, presidente da Findes, lembra que o Espírito Santo possui uma das economias mais abertas do Brasil, altamente integrada ao mercado externo. Ele considera que essa abertura, que é uma das forças do desenvolvimento socioeconômico capixaba, torna também o Estado mais vulnerável a decisões unilaterais e protecionistas como a adotada por Trump.
"Medidas desse tipo comprometem a previsibilidade das relações comerciais, criam instabilidade nos mercados e colocam em risco cadeias produtivas inteiras, com reflexos diretos no emprego, na arrecadação e no crescimento econômico regional. A relação comercial entre Espírito Santo e EUA é historicamente sólida e relevante", aponta.
A indústria de petróleo e gás em atuação no Brasil também vê com preocupação a medida. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) defende o diálogo aberto entre as lideranças brasileiras e norte-americanas a fim de encontrar uma solução diplomática para a questão e preservar a estabilidade institucional e o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente.
“A medida traz incertezas para o setor de petróleo e gás, que responde hoje por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país. Em 2024, o petróleo foi o principal produto da pauta de exportações no Brasil, superando a soja e contribuindo com US$ 44,8 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Para o mercado norte-americano, o petróleo bruto é hoje o principal item na pauta de exportações”, destaca.
A entidade avalia com cautela os reais impactos sobre investimentos e competitividade da nossa indústria, que conta com mais de 40 mil empresas atuando diretamente no Brasil.
Já Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), diz acompanhar com muita atenção as discussões das tarifas nos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos é o país mais importante em termos de consumo de café, ao redor de 24 milhões de sacas, e o Brasil é o principal fornecedor nesse mercado, com mais de 30% do market share”, lembra.
Para Marcos, tudo que gera impacto no consumo é ruim para o fluxo do comércio, a indústria, o desenvolvimento dos países produtores e os consumidores.
Portanto, afirma que a entidade está numa agenda positiva para que possa ter uma condição mais apropriada e adequada para o comércio de café do Brasil para os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos importam café e agregam valor na industrialização. Para cada 1 dólar de café importado, são gerados 43 dólares na economia americana, são 2,2 milhões de empregos, 1,2% do PIB norte-americano. 76% dos americanos tomam café, sendo mais consumido que qualquer outra bebida hoje no mercado”, aponta.
O setor de rochas ornamentais no Espírito Santo já tinha sinalizado preocupação também na noite de quarta-feira (9). Para o Centrorochas, entidade que representa o setor, a nova alíquota coloca o Brasil em desvantagem competitiva frente a outros fornecedores internacionais, como Itália, Turquia, Índia e China, que enfrentarão tarifas inferiores.
"A medida ameaça o desempenho de mais de 200 empresas exportadoras brasileiras e compromete uma cadeia produtiva que gera cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no país", diz.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) manifestou profunda preocupação com a decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. "Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países", afirma.
A entidade enfatiza que a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos sempre se pautou pelo respeito, pela confiança mútua e pelo compromisso com o crescimento conjunto. Cita ainda que o comércio de bens e serviços entre as duas nações é fortemente complementar e tem gerado benefícios concretos para ambos os lados, sendo superavitário para os Estados Unidos ao longo dos últimos 15 anos — com saldo de US$ 29,2 bilhões em 2024, segundo dados oficiais norte-americanos.

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