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Comércio ilegal

Delegados: decreto de armas pode aumentar tráfico internacional

Alta demanda deve interferir também no mercado ilegal

Publicado em 21 de Maio de 2019 às 23:34

Pedro Permuy

Publicado em 

21 mai 2019 às 23:34
Uma briga no trânsito pode virar tiroteio, o treinamento obrigatório para porte de arma não prepara amplamente o cidadão e uma pessoa irritada armada pode ser duplamente perigosa. Mas o que preocupa especialistas é o fato de o tráfico internacional de armas, sobretudo vindas do Paraguai para o Brasil, poder aumentar com a mudança na lei do porte de armas.
Especialistas em segurança alertam que isso pode acontecer porque a alta na demanda reflete no mercado ilegal, principalmente por pessoas que não têm dinheiro para adquirir armas de forma legal, em empresas especializadas e com os documentos necessários.
De acordo com o chefe do
Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc)
, o delegado Fabricio Dutra, o principal problema é a fronteira do Brasil ser fraca. "Muitas dessas armas vêm do mercado ilegal. As pessoas querem comprar com facilidade e nem todo mundo tem recurso para comprar esses produtos das formas regulares, o que pode fazer com que esse cenário piore", destaca.
Segundo o especialista, o exercício de carregar uma arma tem que ser praticado diariamente e até para quem é agente o treinamento é rígido. E a manipulação desses objetos por civis, ainda mais no caso do fuzil, pode ser perigosa.
“Esse treinamento básico, que é obrigatório, não prepara de forma ampla. Tem que saber segurar, onde colocar a arma, saber o que fazer se for abordado por alguém, saber o que fazer se estiver andando com o filho por aí. É uma série de questões que têm que ser levadas em conta”, finaliza.
Para o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Breno Andrade, a posse de arma deve ser considerada, mas não o porte. “Não vejo como causa para diminuir violência e todos esses riscos são colocados na balança. A arma não é da cultura do povo brasileiro”, pontua.
ROUBO DE ARMAS
O professor de Direito Penal e Processo Penal Raphael Pereira, que é especialista em Segurança Pública e escrivão da Polícia Civil, avalia que pode “virar moda” o roubo de armas, já que mais desses itens vão circular por aí. Segundo ele, isso fará com que mais armas sejam comercializadas pelos criminosos, que também vão equipar a bandidagem com armamento pesado e de boa procedência.
O especialista reitera que o cidadão armado também não recebe o preparo efetivo, o que facilita a ação dos criminosos. “Os bandidos sempre agem com um elemento surpresa. As pessoas ficarão mais vulneráveis ao roubo das armas e isso vai gerar um problema”, diz.
 

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