Toda mãe tem a vontade e o sonho de fazer um belo registro fotográfico dos primeiros meses de vida de um filho — e, por mais que seja em uma realidade diferente, fotógrafas voluntárias conseguiram eternizar estes momentos de quatro detentas que cumprem pena no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC).
A ideia é de um projeto antigo, denominado "Da gestão para a vida" e, de acordo com Graciele Sonegheti Fraga, diretora do CPFC, a iniciativa surgiu porque os bebês que ficam na companhia das mães detentas, não têm nenhum registro de vida dos seis meses — período da amamentação. Após isso, é determinada a guarda provisória para alguém da família: avó, tia, entre outros.
"Muita criança, quando cresce, pergunta: 'Mãe, cadê minha foto de quando eu era bebê?'. A partir disto, pensamos em fazer algo relacionado e se tornou profissional, porque conseguimos voluntários". Apesar do lindo gesto, Gracieli diz que o trabalho tem recebido muitas críticas.
Muitas pessoas têm criticado o trabalho justamente por ser com detentas, mas estamos fazendo o que podemos para melhorar a condição de vida dessas pessoas, trazer humanidade e socializar e dar, principalmente no caso dos bebês, essa possibilidade de registro de vida
Os quatro bebês — João Pedro, de dois meses; Enzo, de três; Manu, de cinco; e Jesus, de sete — ficam em um alojamento materno-infantil do presídio com as mães. Como elas cumprem pena com regime fechado, têm o direito de ficar em um local preparado com berços, camas e brinquedos na companhia dos filhos, pelo período de amamentação. O resultado do ensaio foi este: cenários fofos e até fantasias infantis feitas de crochê. As famílias dessas mães vão receber as fotos em um CD.
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POSICIONAMENTO E RESPEITO
Gracieli comentou com a reportagem do Gazeta Online que a principal ideia de quem tem acesso e trabalha perto dessas mulheres é servir de exemplo.
"A gente lida com crianças que são inocentes, que não cometeram crime e que não teriam nenhum registro de vida. Com isso, queremos trazer benefícios para a criança. Muitas de nós somos referências para aquelas mulheres. Estamos ali para mostrar que existe humanidade, respeito e que elas têm que se posicionar quanto a isso", finalizou a diretora.