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Projeto

Filhos de detentas ganham ensaio fotográfico em presídio do ES

A iniciativa surgiu porque os bebês que ficam na companhia das mães detentas, não têm nenhum registro de vida dos seis meses, período da amamentação

Publicado em 29 de Março de 2019 às 00:20

Lais Magesky

Publicado em 

29 mar 2019 às 00:20
Ensaio fotográfico "Da gestão para a vida" em que as mães posaram para as fotos com os bebês Crédito: Luana Andrioli e Carla Nogueira
Toda mãe tem a vontade e o sonho de fazer um belo registro fotográfico dos primeiros meses de vida de um filho — e, por mais que seja em uma realidade diferente, fotógrafas voluntárias conseguiram eternizar estes momentos de quatro detentas que cumprem pena no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC).
A ideia é de um projeto antigo, denominado "Da gestão para a vida" e, de acordo com Graciele Sonegheti Fraga, diretora do CPFC, a iniciativa surgiu porque os bebês que ficam na companhia das mães detentas, não têm nenhum registro de vida dos seis meses — período da amamentação. Após isso, é determinada a guarda provisória para alguém da família: avó, tia, entre outros. 
"Muita criança, quando cresce, pergunta: 'Mãe, cadê minha foto de quando eu era bebê?'. A partir disto, pensamos em fazer algo relacionado e se tornou profissional, porque conseguimos voluntários". Apesar do lindo gesto, Gracieli diz que o trabalho tem recebido muitas críticas.
Muitas pessoas têm criticado o trabalho justamente por ser com detentas, mas estamos fazendo o que podemos para melhorar a condição de vida dessas pessoas, trazer humanidade e socializar e dar, principalmente no caso dos bebês, essa possibilidade de registro de vida
Os quatro bebês — João Pedro, de dois meses; Enzo, de três; Manu, de cinco; e Jesus, de sete — ficam em um alojamento materno-infantil do presídio com as mães. Como elas cumprem pena com regime fechado, têm o direito de ficar em um local preparado com berços, camas e brinquedos na companhia dos filhos, pelo período de amamentação. O resultado do ensaio foi este: cenários fofos e até fantasias infantis feitas de crochê. As famílias dessas mães vão receber as fotos em um CD.
VEJA FOTOS
POSICIONAMENTO E RESPEITO
Gracieli comentou com a reportagem do Gazeta Online que a principal ideia de quem tem acesso e trabalha perto dessas mulheres é servir de exemplo.
"A gente lida com crianças que são inocentes, que não cometeram crime e que não teriam nenhum registro de vida. Com isso, queremos trazer benefícios para a criança. Muitas de nós somos referências para aquelas mulheres. Estamos ali para mostrar que existe humanidade, respeito e que elas têm que se posicionar quanto a isso", finalizou a diretora.

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