A Força-tarefa estadual criada para vistoriar barragens no Espírito Santo, idealizada após o desastre de Brumadinho em Minas Gerais, já analisou 55 estruturas em todo o Estado. Destas, nenhuma apresenta risco de rompimento, segundo o diretor-presidente da Agerh, Fábio Ahnert. O grupo foi criado em janeiro deste ano e é formado por agentes da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), da Defesa Civil Estadual, da Secretaria Estadual de Agricultura e do Iema.
Até o fim do mês de maio mais 10 barragens devem ser vistoriadas, totalizando 65 estruturas. Após isso, um relatório parcial será elaborado pela Agência para apontar a classificação de risco de cada barragem. No entanto, o secretário afirma que todas as que foram vistoriadas não apresentam risco, e que todos os proprietários, sejam da iniciativa pública ou privada, são notificados a providenciar as mudanças necessárias, como a elaboração do Plano de Segurança.
"Todas elas apresentam condições estruturais satisfatórias que eliminam risco imediato de rompimento. Mesmo assim, todas estão sendo notificadas a apresentarem seus planos de segurança e atualização dos planos de ação emergencial", explicou.
A escolha das barragens que estão passando pelas vistorias é baseada em locais que estejam próximos de perímetros urbanos ou que tenham uma estrutura de grande porte, como explica o diretor. "O critério é de ir naquelas que estão próximas a comunidades, a núcleos habitacionais, e aquelas que apresentam um volume de porte mais significativo. Esses são os dois principais critérios".
Força-tarefa já vistoriou 55 barragens no Espírito Santo
Número é maior
As 55 barragens vistoriadas estão em um cadastro estadual da Agência, composto por 144 estruturas no total. No entanto, a Agerh estima que o Estado possua 35 mil reservatórios de água. O diretor afirmou que a grande maioria não oferece risco, mas que as ações seguirão sendo realizadas para que o número de cadastros continue aumentando.
"Esse é um número que tem de levantamentos feitos das barragens que o Idaf já licenciou, que o nosso Plano Estadual de Recursos Hídricos fez algumas correlações e chegou a esse número estimativo. Desses 35 mil, o que a gente imagina é que a grande maioria sejam barragens de pequeno porte, que não ofereçam riscos significativos. Na medida em que a gente cria parcerias e passa a usar ferramentas tecnológicas, elas passam a ser enxergadas pelo nosso cadastro. Significa que a gente passa a ter um controle maior para efeito de segurança".
Duas Bocas, Santa Júlia e Alto Santa Júlia
As primeiras barragens vistoriadas - Duas Bocas, em Cariacica; e Santa Júlia e Alto Santa Júlia em São Roque do Canaã - que no início do ano foram apontadas pela Agência Nacional das Águas como vulneráveis, já passam por intervenções, segundo a Agerh. Fábio Ahnert explica que, nestas estruturas, as ações apontadas pela Agência já foram realizadas, como controle de formigueiros, limpeza de drenos, plantio de grama e contratação do Plano de Segurança. As obras estruturais, no entanto, ainda estão em processo licitatório.
"As primeiras medidas mais pontuais já foram adotadas. As medidas de controle e segurança que envolvem construção de obras, reforços estruturais, já estão em processo de licitação. Ainda assim, mesmo que não tenham sido realizadas, elas não correm risco de rompimento imediato".
A Agência informou ainda que apresentará um balanço parcial das vistorias no início do segundo semestre, com os pareceres das análises realizadas em todas as estruturas.