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Tetraplégico que ficou 9 anos sem estudar passa em engenharia no Ifes

A escolha por engenharia se deu, principalmente, por já conhecer a área. Anteriormente, trabalhava como eletricista e fez curso técnico

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 19:21

Publicado em 

29 jan 2019 às 19:21
O estudante Rafael Vieira é tetraplégico desde os 17 anos. Aos 27, passou em Engenharia Elétrica no Ifes Crédito: Marcelo Prest
Há dez anos, Rafael Vieira Alves, 27 anos, sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Após nove anos sem estudar, o jovem decidiu voltar à sala de aula. De cadeira motorizada, saía de Transcol, sozinho, a partir de Parque Gramado, Cariacica. Uma hora depois, chegava às aulas do Projeto Universidade Para Todos (Pupt), em Campo Grande. Em casa, resolvia questões — todas de cabeça, pois não consegue escrever. O resultado do esforço? Aprovação no curso de Engenharia Elétrica no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Natural de Águia Branca, no Noroeste do Estado, há cerca de dois anos conheceu um amor que o incentivou a voltar aos estudos. Formado no Ensino Médio há quase dez anos, o futuro universitário diz ter começado a estudar do zero. "Na escola são muitos conteúdos e acabamos por esquecer", explica. E a rotina requeria um esforço maior do que a maioria. "Não sei escrever, então calculo tudo de cabeça. Fica mais difícil, mas os professores do Pupt são excelentes", elogia.
Além do curso, o acesso ao conteúdo vinha, principalmente, via internet. Na parte da manhã, Rafael focava em resolver questões. De acordo com ele, aplicativos e vídeoaulas o ajudaram bastante. Os estudos? Foram inteiramente pelo notebook. Já durante às tardes, o jovem se dedicava ao pré-vestibular. "Algumas aulas eu gravava. Outras, pedia para me mandarem fotos do caderno", relembra.
A escolha por engenharia se deu, principalmente, por já conhecer a área. Anteriormente, trabalhava como eletricista e fez curso técnico. E a nota, de 630, o deixou com opções para escolher: civil, elétrica ou mecânica. "Sempre achei que conseguiria, mas a expectativa não era para acontecer esse ano. Mas conheci o Pupt e resolvi tentar. Estou muito empolgado para começar", conta.
ACESSIBILIDADE
O acidente de moto, que aconteceu na terra natal, o deixou tetraplégico. "Lá, eu ficava mais em casa, poi era cidade pequena", relata. A mudança para Cariacica ocorreu há 1 ano e três meses. E, há três anos de cadeira motorizada, o estudante, que mora sozinha, vai sozinho para todos os lados. "É tranquilo. Com ela, foi outra vida. Coloco o cinto e vou", conta.
O estudante, que é cotista, teria nota para passar em outras universidades, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) "Optei pelo Ifes pela questão da acessibilidade. Os laboratórios de lá são muito bons", explica. O jovem também conseguiu uma bolsa de 100% em uma faculdade particular em Vitória, Programa Nossa Bolsa.
O jovem conta que, há anos, um amigo estava em dúvida entre Direito e Engenharia Civil. "O aconselhei a fazer engenharia. Já está formado. Ele me falou: agora é sua vez", conta, sorridente.
 

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