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No prejuízo

Golpe do falso consórcio deixa clientes no prejuízo em São Mateus

Segundo as vítimas, entre eles o prejuízo pode chegar a 120 mil reais

Publicado em 23 de Julho de 2019 às 22:26

Leonardo Lucas da Silva

Publicado em 

23 jul 2019 às 22:26
O Allysson, o Paulo e a Fátima contam que não receberam os valores do consórcio que fizeram com uma revendedora de motos em São Mateus e, sem respostas, continuam no prejuízo Crédito: Reprodução / TV Gazeta Norte
Pelos menos 20 pessoas podem ter caído no golpe do falso consórcio e somam prejuízos na cidade de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. As vítimas tinham como o objetivo a aquisição de motos ou a retirada de cartas de crédito no valor do veículo.
O Allysson Maia conta que pagou diversos boletos de um consórcio de motos, que resultou em um investimento de R$ 19,3 mil. Ele terminou o pagamento em 2017, mas nunca recebeu a moto pela qual pagou e nem o dinheiro de volta. “Quando eu vi numa página do Facebook que essa empresa estava aplicando golpes e que ninguém estava recebendo, foi quando eu procurei a empresa para saber o que estava acontecendo”, explica o vigilante.
Ainda segundo Allysson, ele precisou quitar todo o consórcio, esperar a negativa da empresa para o pagamento do bem, para só depois recorrer à Justiça. “Como o meu consórcio era de 60 meses, eu não podia abrir o processo naquele momento porque faltavam nove parcelas para serem pagas, aí eu tive que esperar passar esses nove meses e tentar receber, a empresa não pagar, para só depois eu ir no Fórum e abrir um processo contra eles”, relata.
O analista administrativo, Paulo Ricardo de Almeida, foi outra vítima. Ele pagou cerca de R$ 12 mil, divididos em 50 parcelas no consórcio da mesma revendedora de motos em São Mateus. Ele conta que também quitou o consórcio em 2017 e queria receber uma carta de crédito em vez da moto.
“Eu conversei com o pessoal lá e eles me perguntaram se eu queria a carta de crédito ou se eu queria o bem, eu respondi que queria a carta de crédito e esperei 180 dias. Acontece que eles não me responderam. Enviei e-mail como já mostrei, e eles não responderam o e-mail também e foi aí que eu busquei a Justiça”.
A Fátima Mendes também ficou no prejuízo após pagar boa parte do consórcio e descobrir que outras pessoas ainda não foram beneficiadas como esperavam. “Era uma confiança que eu tinha. Tanto é que eu cheguei a pagar 30 parcelas desse consórcio e não sabia que eu tinha entrado em um golpe. Você ia em um mês eles estavam em um local, você ia no outro mês e eles já estavam em outro local, e começaram a deixar de mandar informações que a gente recebia”, conta a comerciante.
O consórcio era bem conhecido na cidade, mas segundo os clientes, após descobrir que a empresa tinha mudado de nome e também de endereço, começaram a desconfiar. Como o tempo ia passando e eles não recebiam pelo investimento, perceberam que poderiam ter caído em um golpe.
PROCESSOS NA JUSTIÇA
No site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo é possível encontrar mais de 40 páginas de processos contra a revendedora de motos citada pelos entrevistados. Segundo o Allysson, um grupo criado através de um aplicativo de troca de mensagens, reuniu pelo menos 20 pessoas que estão na mesma situação. Entre eles, o prejuízo é de cerca de R$ 120 mil.
Após recorrer à Justiça, o Allyson participou de uma audiência de conciliação, porém, sem resultado. “A audiência durou 30 segundos. A conciliadora só perguntou se a empresa tinha alguma proposta e eles responderam que não e aí acabou, levantaram e saíram”, relembra.
Já no caso do Paulo, a empresa se comprometeu a cumprir um acordo de indenização: “chegaram lá e me ofereceram um acordo. Eu aceitei o acordo para eles me pagarem uma parcela de mil reais e outras nove parcelas de 900 reais, ou seja, eu iria receber menos ainda do que eu paguei pelo bem e eles não pagaram nem a primeira, não deram nem satisfação”, comenta. Enquanto os processos tramitam na Justiça, as vítimas esperam receber os valores que pagaram pelo consórcio.
O QUE DIZ A EMPRESA DE CONSÓRCIO
A reportagem da TV Gazeta Norte procurou o homem apontado pelos clientes como sendo o dono da empresa responsável pelos consórcios, entretanto, ele disse que a empresa foi vendida há sete anos e que não iria comentar o assunto.
 

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