Morreu, aos 98 anos, Hilda Cabas, que por décadas atuou como chefe de cerimonial do Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo. Dona Hilda, como era conhecida, morreu nesta segunda-feira (31). Nascida em Guaçuí, em 22 de março de 1928, ela se mudou ainda criança para Vitória.
Laurentino Bicas Neto, um dos netos de Dona Hilda, contou que a avó morreu às 10h. Ela estava internada desde a semana passada com um cálculo biliar, passou por cirurgia, mas teve uma infecção e acabou falecendo. Ele fez questão de dizer que a avó continuava muito ativa, fazendo atividade física três vezes por semana.
O velório será no Salão Nobre do Palácio Anchieta, das 17h às 20h. O corpo será cremado na terça-feira (1º), em uma cerimônia particular para a família. Hilda deixa uma filha, três netos e sete bisnetos.
Hilda se tornou um símbolo de elegância e simpatia nas solenidades realizadas no Palácio Anchieta. Ao longo de sua trajetória, acompanhou diferentes governos e recebeu autoridades de diversas gerações, sempre deixando sua marca pela elegância, educação e acolhimento.
A trajetória no governo começou em 1982, quando assumiu a organização das cerimônias oficiais. Em 2007, deixou de atuar em eventos particulares para se dedicar integralmente ao governo estadual. Em 2014, fez uma breve pausa e retornou em 2018, a convite do então governador Renato Casagrande.
Durante a pandemia, Hilda precisou se afastar das solenidades. Antes de retornar às atividades, em 2021, viveu um momento simbólico no Palácio Anchieta, local que considerava sua segunda casa: tornou-se a primeira pessoa com mais de 90 anos, fora de instituições de longa permanência, a ser vacinada contra a Covid-19 no Espírito Santo.
Por questões de saúde, em 2022, Hilda deixou definitivamente as atividades no Palácio.
Ela recebeu autoridades de origens e gerações, mas o que mais gostava era dos eventos com a população. “Recebemos sempre pessoas importantes, mas o que mais me emociona são os eventos com pessoas humildes”, disse certa vez sobre sua rotina como cerimonialista.
A história de Hilda ficou ligada às paredes do Palácio Anchieta, onde trabalhou por décadas e se tornou uma figura conhecida da vida pública capixaba. Em uma publicação nas redes sociais, o ex-governador Renato Casagrande lamentou a morte de Hilda.
"Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento de Dona Hilda Cabas, uma pessoa por quem sempre tive um carinho muito especial. Dona Hilda fez parte da história do Espírito Santo. Por décadas cuidou do Cerimonial do Palácio Anchieta com elegência, dedicação e uma maneira acolhedora de tratar as pessoas. Guardarei sua doçura, sua sabedoria e tantos momentos de convivência e amizade. Que Deus a receba em sua paz", afirmou.
O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos, também lamentou a morte.
"Recebo com muita tristeza a notícia da partida de Dona Hilda Cabas, uma mulher elegante, fina e de uma ternura que marcou gerações no Palácio Anchieta e na vida pública do Espírito Santo. Desde o início da minha trajetória política, ainda nas primeiras agendas no Palácio, Dona Hilda sempre me recebeu e me tratou com muito carinho, atenção e respeito, gestos que jamais esquecerei. Fica minha gratidão, minha admiração e meu carinho por uma pessoa que fez do respeito ao próximo uma marca de sua vida. Meus sentimentos aos familiares e amigos", frisou.