A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (19), uma operação contra um suposto esquema de corrupção na área da saúde no município de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo. Chamada de "Jogo de Peças", a ação teve o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e cooperação técnica do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) para apurar indícios de fraudes em contratações públicas na cidade.
Conforme informações da Polícia Federal, a investigação começou com a análise de elementos obtidos em apuração anterior que indicavam a possibilidade de irregularidades em contratos para aquisição de materiais hospitalares com recursos públicos destinados à saúde.
Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Guaçuí e também em Vitória e na Serra, além do bloqueio de bens e valores dos investigados. Em um dos endereços, foram apreendidos R$ 113,9 mil em espécie.
Por meio de nota, a Prefeitura de Guaçuí afirma que nenhum órgão da administração municipal foi alvo da operação da PF deflagrada nesta sexta (19). Destaca ainda que os fatos apurados envolvem contratações realizadas pela Santa Casa de Misericórdia, entre 2016 e 2024, e que esse período não corresponde à atual gestão, que assumiu o município em 2025.
A prefeitura também diz que mantém o curso normal dos seus trabalhos e reafirma o compromisso permanente com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.
"Apurações que zelam pela correta aplicação do dinheiro público fortalecem as instituições e a confiança da sociedade e contam com o apoio integral e a colaboração desta prefeitura no que for necessário", completa a nota.
A direção da Santa Casa de Misericórdia foi procurada a respeito da operação. Em caso de resposta, este texto será atualizado.
As investigações indicam que, entre os anos de 2016 e 2024, contratos públicos teriam sido fraudados por meio de superfaturamento e direcionamento de contratações, possibilitando o pagamento de vantagens indevidas a agente público que exercia função de gestão em unidade de saúde do município de Guaçuí.
Até o momento, ainda segundo a Polícia Federal, os dados apurados indicam a possível atuação conjunta entre agentes públicos e particulares para viabilizar o esquema criminoso, hipótese que continua sendo objeto de aprofundamento no curso das investigações.
Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e delitos relacionados a fraudes em procedimentos licitatórios.
O grupo empresarial investigado também figura como alvo de outros inquéritos policiais que apuram supostas práticas criminosas de natureza semelhante, circunstância igualmente considerada nas investigações em andamento.
O nome da operação, Jogo de Peças, faz referência ao codinome supostamente utilizado pelos investigados para tratar do pagamento de vantagens indevidas. Conforme apurado, a propina era mencionada como entrega de “peças”, sendo que cada unidade corresponderia ao valor de R$ 1 mil.
Atualização
O texto foi atualizado com nota enviada pela Prefeitura de Guaçuí.