Quatro dias e uma triste coincidência separam as mortes de Daniel da Silva Amorim, de 30 anos, e Roseli Martins, sem idade informada. Ambos morreram em acidentes de moto na Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha, em trechos que passam por obras do Governo do Estado. Roseli morreu no dia 14 de maio. Já Daniel foi vítima de um acidente na segunda-feira (18).
Conforme informações da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, Daniel voltava do trabalho em uma construtora junto com um amigo quando a moto em que estavam bateu em um caminhão, na altura do bairro Alecrim. Daniel estava na garupa e morreu no local. O condutor da motocicleta foi socorrido e levado para o Hospital Antônio Bezerra de Faria, no mesmo município, e recebeu alta ainda na noite de segunda-feira.
A moto e o caminhão seguiam no sentido Vila Velha–Vitória. Para a Polícia Militar, o motorista do caminhão contou que o motociclista trafegava pela ciclovia e que, ao virar à direita para entrar em uma rua, não viu a moto passando.
De acordo com a perícia da Polícia Científica, a motocicleta atingiu o pneu traseiro do caminhão. O motorista foi levado para a Delegacia Regional de Vila Velha. Segundo a PM, tanto ele quanto o motociclista fizeram o teste do bafômetro, e os resultados deram negativo.
Segundo familiares informaram à polícia, Daniel deixa três filhos.
Morte após moto deslizar
O acidente que tirou a vida de Daniel aconteceu a poucos metros de onde Roseli Martins morreu há quatro dias, após a moto em que ela estava colidir com um micro-ônibus. Ela era passageira de uma motocicleta que fazia uma corrida por aplicativo.
Ao passarem pelo trecho em obras da via, na região do bairro Planalto, aconteceu o acidente fatal. O condutor da moto ficou ferido, foi socorrido pelo Samu/192 e encaminhado para um hospital.
Imagens de câmeras de segurança (veja acima) registraram o momento em que a motocicleta ultrapassa o coletivo pela direita, no sentido Vila Velha–Vitória. Em seguida, o veículo desliza, projetando os ocupantes para debaixo do ônibus, que passa sobre os dois.
Motociclistas relatam medo
Em entrevista para a TV Gazeta, na noite de segunda, logo após o acidente que vitimou Daniel da Silva Amorim, motociclistas relataram medo e dizem que as obras aumentaram o risco de acidentes na região.
“Eu também sofri um acidente há três semanas. Estão culpando os motoboys por estarem passando pela direita, mas só tem a direita para trafegar. Tem trecho da obra em que passa apenas um carro, em outros passam dois. É nesse afunilamento que acontecem os acidentes. Se não houver fiscalização severa em uma obra importante para a mobilidade, outras vidas podem ser perdidas”, afirmou o motoboy Leandro Rangel.
A Avenida Carlos Lindenberg passa por obras para a construção do Expresso GV, corredor exclusivo para ônibus. A reportagem procurou a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), responsável pela execução do projeto. Em nota, o órgão lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
Sobre o acidente, a Semobi esclareceu que, de acordo com as informações preliminares colhidas no local, a fatalidade não foi causada pelas intervenções da obra que ocorrem no canteiro central, mas sim por uma ultrapassagem proibida pela ciclovia.
"A Secretaria ressalta que tal manobra infringe o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e que aguarda a conclusão da perícia da Polícia Científica para o detalhamento oficial das causas e dinâmicas do acidente", disse.
Em relação ao andamento das obras do Expresso GV, a secretaria ressaltou que está ciente dos impactos temporários no fluxo e que estão ocorrendo dentro do cronograma previsto e contam com o monitoramento e controle da Guarda Municipal de Vila Velha.
"O local conta com sinalização reforçada, tanto diurna quanto noturna, instalada especificamente para orientar motoristas e pedestres e garantir a segurança viária durante todo o período de execução dos trabalhos", informou.
A Semobi reforçou o pedido para que os condutores respeitem os limites de velocidade, a sinalização vigente e que, ao longo do trecho das obras, os motociclistas sigam atrás dos carros, evitando manobras de risco tanto pela direita, quanto pela ciclovia.