Gabriel Alves de Jesus e Ruan dos Santos Santana foram condenados, nesta quarta-feira (19), pela morte de Matheus Vinícius da Rocha Silva, de 20 anos, em Vitória. Somadas, as penas dos dois ultrapassam 68 anos de prisão. O jovem, filho de um pastor e conhecido na região, foi morto a tiros em 24 de março de 2022.
Matheus estava em um campo de futebol no bairro Redenção quando foi atingido por pelo menos três tiros, sendo dois no braço e um no peito. Segundo a sentença, o crime teria sido motivado pela suspeita de que o jovem havia repassado informações a um grupo rival do tráfico de drogas. A suposta colaboração, no entanto, não foi comprovada.
De acordo com a Justiça, Gabriel e Ruan foram os executores. Gabriel foi condenado a 35 anos e três meses de prisão, além de 700 dias-multa. Ruan recebeu pena de 33 anos, três meses e sete dias de prisão, também com 700 dias-multa.
Os dois foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe, perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de associação para o tráfico de drogas, com aumento de pena pelo uso de arma de fogo.
O pai de Matheus, Márcio da Vitória, acompanhou o julgamento e afirmou ter sentido que a Justiça foi feita. “Nada vai trazer meu filho de volta, mas fica uma sensação de dever cumprido. Sou muito grato ao delegado e à promotoria, que souberam conduzir os fatos”, disse.
Márcio também comentou a versão apresentada por um dos réus durante o julgamento. Segundo ele, inicialmente os acusados afirmaram que Matheus havia passado informações para um grupo rival. Durante o julgamento, porém, um dos réus teria alegado que matou o jovem porque havia sido ameaçado de morte por ele.
“Isso me abalou, porque todos conheciam o Matheus e sabiam que ele não era uma pessoa violenta nem andava armado”, afirmou o pai.
Ruan e Gabriel foram identificados como participantes do crime após a conclusão do inquérito policial, em setembro de 2022. Além deles, Diego dos Santos Loutério, conhecido como "Dieguinho do Salão", foi apontado pela corporação como mandante, enquanto Ismael Francisco Azevedo da Silva, o "Baiano Branco", teria fornecido a arma usada no assassinato.
Diego foi assassinado a tiros em janeiro de 2026, enquanto cortava o cabelo de uma criança em uma barbearia em Vitória.
Já Ismael pode ser levado a júri popular. Segundo o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), um recurso apresentado pela defesa contra a decisão de pronúncia foi negado por unanimidade, mantendo integralmente a determinação.
A defesa de Ismael, representada pelo advogado Taylon Gigante, informou que o processo ainda está em andamento, sem sentença definitiva, e afirmou confiar nas instituições para a apuração dos fatos, destacando o princípio da presunção de inocência.
Defesa de Ismael | Nota na íntegra
Enviada em 20/08/2026
"A defesa de Ismael esclarece que o processo judicial ainda se encontra em andamento (sem sentença definitiva), isto é, não houve trânsito em julgado.
Urge sublinhar que o princípio da presunção de Inocência é garantia
constitucional e tem sido observado pelas instituições competentes, pois
trata-se de um dos mais importantes pilares do Estado democrático de
direito. Além disso, a defesa confia nas instituições para apuração da verdade real e mantém o compromisso com a transparência e valores constitucionais.
E no momento oportuno será esclarecida a realidade dos fatos. Já que todas as medidas estão sendo tomadas para esclarecimento da verdade apurada nos autos."
Na sentença, o juiz também destacou os impactos causados à família de Matheus. A mãe do jovem, segundo o documento, chegou a procurar o grupo responsável para desmentir os boatos sobre o filho e pedir pela vida dele na madrugada do assassinato.
“A minha casa perdeu a alegria, a gente vive com o coração despedaçado depois do que fizeram com o Matheus logo ali na frente de casa”, afirmou a mãe durante o depoimento.
A Justiça também considerou que a morte interrompeu o processo de reinserção social do jovem. Matheus participava de um projeto social criado por ele e pelo pai para auxiliar pessoas com dependência química. Segundo Márcio, o filho também planejava voltar a estudar e prestar concurso para a Polícia Militar.
“Tinha dois grandes projetos que estávamos trabalhando: ele ir pros EUA e o outro, que ele tava determinado, tava certo dele ir na escola, voltar a estudar, para fazer a prova da PM que era o sonho dele. Já estava tudo certo para ele se matricular no EJA no dia seguinte em que foi morto”, contou o pai.