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Desdobramentos

Em depoimento, jogador capixaba do Vasco admite conhecer investigados, diz colunista

David Corrêa negou envolvimento com tráfico de armas e drogas; celular do jogador foi apreendido durante operação que também teve como alvo lateral do Vila Nova

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 10:34

Jaciele Simoura

Publicado em 

02 set 2026 às 10:34
David Corrêa
David Corrêa Redes Sociais

O atacante David Corrêa, do Vasco da Gama, prestou depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro na terça-feira (1º), após ser alvo da operação “A Tropa”, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo. O jogador é investigado ao lado do lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, do Vila Nova, de Goiás. Os dois nasceram no Espírito Santo e foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a operação, na segunda-feira (31).


Segundo informações do colunista Diogo Dantas, de O Globo, David admitiu ter conhecidos no Espírito Santo ligados à investigação, mas negou participação em tráfico de armas e drogas.

Durante a operação, os celulares dos dois atletas foram apreendidos. 


A Polícia Civil capixaba investiga a possível relação dos jogadores com o traficante Ruan de Freitas Camargo Cruz, apontado pela investigação como executor de um assassinato na Serra.


Ainda segundo o colunista Diogo Dantas, David afirmou durante o depoimento que não tem conhecimento sobre possíveis crimes cometidos nem sobre quem estaria envolvido na investigação.


O empresário André Cury, que cuida da carreira do jogador, também negou qualquer envolvimento de David com os crimes investigados. Conforme publicado por Diogo Dantas, o empresário afirmou que o atleta tem origem humilde, mas que isso não significa que tenha qualquer ligação com o crime organizado.


De acordo com a Polícia Civil do ES, o nome da operação, “A Tropa”, faz referência à forma como os próprios investigados se referiam ao grupo criminoso. 

Investigação
Hayner William Monjardim Cordeiro e David Corrêa
Hayner William Monjardim Cordeiro e David Corrêa Redes Sociais

A investigação que deu origem à operação tramita sob segredo de Justiça na 4ª Vara Criminal da Serra. Além dos dois jogadores e de Ruan de Freitas Camargo Cruz, também são alvos da ação Edson Vander da Silva Junior, Raphael Marim de Lima e Arildo Alves de Oliveira.


Conforme a Secretaria da Justiça (Sejus):


  • Ruan de Freitas Camargo Cruz: está preso no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana, desde 20 de agosto de 2024. Há registro dele pelos crimes de homicídio qualificado, tráfico de drogas, roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e dano qualificado. A Sejus também informou registros anteriores entre 2017 e 2022.
  • Edson Vander da Silva Júnior: também está no mesmo complexo prisional desde 20 de agosto de 2024. Ele possui registros relacionados a homicídio qualificado e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
  • Arildo Alves de Oliveira: teve registro no sistema prisional entre 21 de janeiro e 21 de março de 2026, relacionado a dívida de pensão alimentícia.
  • Raphael Marim de Lima: Não há registros. 
Entenda 
Celulares de jogadores foram apreendidos durante a operação A Tropa
Celulares de jogadores foram apreendidos durante a operação A Tropa Reprodução | TV Globo

Segundo apurou o telejornal RJ2, da TV Globo, a ação deflagrada na segunda-feira é um desdobramento da prisão de Ruan e busca esclarecer até onde vai a relação dos jogadores com o traficante. Os três seriam amigos de infância e conterrâneos (Serra, na Grande Vitória). Durante a apuração, a Polícia Civil teria encontrado no celular de Ruan conversas entre ele e os dois atletas.


A Polícia Civil capixaba informou que dois dos mandados foram cumpridos contra alvos que estavam soltos. Um deles foi preso em flagrante por posse de arma de fogo. Outros dois mandados foram cumpridos contra indivíduos que já estavam no sistema prisional.


A Operação “A Tropa” busca avançar na apuração da atuação do grupo criminoso e esclarecer a possível participação e o nível de envolvimento dos demais investigados.


No Rio de Janeiro, policiais civis do Espírito Santo e do Rio foram até a casa de David, na Barra da Tijuca, na manhã de segunda-feira. Dois celulares do jogador foram apreendidos. Ele acompanhou as buscas e, posteriormente, esteve na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), mas não prestou depoimento. Segundo o RJ2, o atleta pediu que o interrogatório fosse realizado em uma nova data.


Os policiais também foram ao Centro de Treinamento do Vasco, em Jacarepaguá, onde foram recebidos por dirigentes do clube. O lateral-direito Hayner, que defende o Vila Nova, também teve o celular apreendido durante a operação, em Goiânia.


Os clubes informaram que os jogadores demonstraram intenção de colaborar com as investigações. Em declaração ao RJ2, o diretor executivo de futebol do Vasco, Admar Lopes, afirmou que o clube está colaborando com as autoridades.


“O Vasco está colaborando com as autoridades e até haver uma resolução por parte das autoridades, o Vasco não vai fazer qualquer tipo de comentário. E dizer que o jogador continua a trabalhar normalmente.”


Segundo a nota divulgada pelo Vila Nova, os mandados de busca e apreensão contra Hayner foram cumpridos em Goiânia, na casa do atleta e no Centro de Treinamento Vila do Tigre, exclusivamente no seu armário pessoal, para averiguação.


O Vila afirmou que, segundo o próprio jogador, ele não possui qualquer envolvimento com atividades ilícitas.


"Hayner acredita que tenha sido incluído entre os alvos da medida judicial em razão de uma amizade de infância com um dos investigados por tráfico de drogas, que é oriundo da mesma comunidade onde o jogador cresceu, no Espírito Santo", disse o time goiano. 

Apontado como executor de homicídio na Serra
Ruan de Freitas Camargo Cruz
Ruan de Freitas Camargo Cruz Polícia Civil

Ruan de Freitas Camargo Cruz está preso e é apontado pela Polícia Civil como um dos executores da morte de Wellington de Souza Lima, de 47 anos. O crime aconteceu em março de 2024 (veja vídeo abaixo), no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra.


Segundo as investigações, a ordem para matar Wellington teria partido de dentro de um presídio no Rio de Janeiro e sido transmitida aos executores por meio de uma videochamada. A vítima foi atingida durante um ataque ao veículo em que estava.


De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, foram efetuados 79 disparos contra o carro, sendo que 27 atingiram Wellington.

A reportagem de A Gazeta também apurou que Ruan responde, juntamente com Edson Vander da Silva Junior, por uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa, também na Serra.


Segundo as investigações, os dois crimes estariam relacionados a desavenças envolvendo o tráfico de drogas.


Com informações do colunista Diogo Dantas, do O Globo. 

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