Uma simples ligação, uma história inventada e minutos de puro desespero. O golpe do falso sequestro levou uma família de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, a momentos de tensão na manhã de domingo (20).
Esse tipo de crime, segundo o delegado Alysson Pereira Pequeno, titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), explora justamente o medo da vítima. Em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, na manhã desta terça-feira (22), ele explicou que os criminosos criam uma situação de urgência para pressioná-la a fazer transferências de dinheiro, mantendo a vítima em videochamada, sob a ameaça de que algo grave aconteça à suposta pessoa sequestrada.
“O que a gente recomenda nesse tipo de situação é cautela. Muita calma quando receber qualquer tipo de ligação de números estranhos. Nunca sair apressadamente fazendo aquilo que é orientado por esses criminosos, pois pode ter um final não muito feliz. Procurar de forma imediata ajuda das autoridades policiais”, orientou o delegado.
Segundo Alysson, o golpe do falso sequestro pode envolver mais de uma vítima. Uma delas é convencida a sair do local onde está e permanece durante todo o tempo em contato com os criminosos por telefone. Durante a conversa, os suspeitos podem pedir que a pessoa faça o espelhamento da tela do celular.
Com acesso ao aparelho, os criminosos conseguem contatos e outras informações que podem ser usadas para ampliar o golpe. Enquanto mantêm a primeira vítima ocupada ao telefone, eles entram em contato com familiares e pessoas próximas.
Aos parentes, os suspeitos dizem que a vítima foi sequestrada e está mantida em cárcere. Em seguida, fazem ameaças e exigem dinheiro para supostamente garantir a libertação dela.
No caso de Cachoeiro de Itapemirim, os suspeitos entraram em contato com uma adolescente pelo celular. Durante a ligação, uma mulher, se passando pela irmã dela, disse que a casa havia sido invadida e que estava sendo mantida refém em um quarto. A adolescente foi orientada a sair da residência, sob a ameaça de que seria morta caso permanecesse no local.
Além disso, os criminosos pediram que ela não procurasse ninguém nem falasse com familiares.
Por meio de uma videochamada e da ferramenta de compartilhamento de tela, os suspeitos monitoraram a adolescente. Depois que ela saiu de casa, os criminosos orientaram a menina a dizer aos familiares que ela própria havia sido sequestrada e a pedir que fossem feitas transferências bancárias.
“Quando se tratam de jovens, é uma pressão psicológica muito grande, que é levada pela emoção, que os leva a praticar esses atos”, explicou o delegado.
Diante de uma ligação desse tipo, a orientação é procurar imediatamente as forças de segurança. Segundo o delegado, a pessoa não deve tentar negociar diretamente com os criminosos nem fazer transferências de dinheiro.
“Mesmo em casos reais de sequestro, o pagamento de valores não garante a liberdade da vítima”, destacou o chefe da DAS.
Por isso, a recomendação é buscar ajuda especializada e deixar a negociação sob responsabilidade das autoridades.
O delegado também orienta a desconfiar de ligações de terceiros que apresentem situações absurdas ou extremamente urgentes. Segundo ele, os criminosos tentam provocar medo e desespero para afetar o psicológico da vítima e fazê-la agir por impulso.
A orientação é interromper a conversa, evitar seguir as instruções dos criminosos e procurar ajuda das autoridades.