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Atrás das grandes

Gangue do Pitbull: como quadrilha espalhava terror na Grande Vitória

Em Vila Velha e Cariacica, bando conhecido como Gangue do Pitbull matava quem desafiava as leis do tráfico. Vinte e dois integrantes foram presos em operação

Publicado em 10 de Maio de 2019 às 17:50

Elis Carvalho

Publicado em 

10 mai 2019 às 17:50
Crédito: Fernando Madeira
Uma quadrilha numerosa e violenta mas que agora está atrás das grades. A polícia prendeu, na última quinta-feira (9), 22 integrantes de uma organização criminosa que trazia drogas da Bahia para revender no Espírito Santo. A quadrilha, que se intitula como a “Gangue do Pitbull”, tinha uma hierarquia que dividia as responsabilidades de cada membro e local de atuação. Além do tráfico, o grupo era conhecido por queimar quem desobedecesse suas leis e levava o terror para sete bairros de Vila Velha e Cariacica. 
De acordo com o delegado Tarik Halabi Souki, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica, a operação aconteceu em cinco bairros do município: Jardim Botânico, Rio Marinho, Vista Linda, Alzira Ramos e Sotelândia. Já em Vila Velha, a ação passou por Cobi de Cima e Alvorada.
A investigação acontece há seis meses. A quadrilha é perigosa, suspeita de ao menos dez homicídios em Cariacica. Eles costumavam queimar os corpos das vítimas
Delegado Tarik Halabi Souki
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, explicou que a Operação Território foi integrada com as polícias Civil e Militar. “Essas mortes são consequências dos códigos criados por traficantes para impor suas próprias leis e punições. Criamos uma força-tarefa para dar condições do serviço de inteligência desenvolver a ação e desarticular a quadrilha. Nosso planejamento estratégico veio também pelo alto índice de homicídios na região em abril. Foram 24 assassinatos em 18 bairros diferentes”, disse Arruda.

O delegado Tarik contou que a prisão do líder do grupo foi feita em parceria com a Polícia Civil da Bahia, na última quarta-feira. Leonardo Lindolfo, o Pateta, estava em Nova Viçosa com Carlos Eduardo Lima Novato, segurança da quadrilha. Leonardo se escondia no estado baiano, onde também adquiria drogas e trazia ao Estado. Com eles, a polícia localizou uma pistola 9 milímetro, meio quilo de maconha e um carro.
As outras 20 prisões no Espírito Santo foram realizadas nas casas dos acusados, em comércios que o grupo mantinha como fachada para lavagem de dinheiro, além de pontos de venda de drogas. Durante a ação, uma pistola calibre 380, 138 munições, 1.290 pinos de cocaína, um tablete de maconha e mais dois carros.
DECAPITAÇÃO FOI FILMADA 
Odenir Rodrigues foi torturado e morto Crédito: Divulgação | Polícia Civil
A Gangue do Pitbull também é responsável pela morte de Odenir Rodrigues, em 4 de abril deste ano. A vítima fazia parte da organização, atuando em Alvorada, mas subtraiu uma arma da quadrilha, levou para a Serra e vendeu.
O grupo soube que ele estava na Serra, foi até lá, sequestrou Odenir e o executou. Odenir foi amarrado, baleado, teve o pescoço cortado ainda vivo, sendo decapitado.
O corpo foi queimado e a vítima foi jogada no Rio Jucu, região de Caçaroca, Cariacica. Toda a ação foi filmada pelos traficantes. Odenir só foi encontrado no dia 9 de abril, boiando no rio.
A crueldade chocou até o delegado-geral da Polícia Civil.
“A morte do Odenir nos abalou muito, porque não importa se era um criminoso, ele era um ser humano. Quando vi o vídeo da morte, em um domingo de manhã, pensei: estamos voltando à Idade Média. O grupo atua de forma violenta para impor o medo. Mas conseguimos dar uma resposta, colocando 22 integrantes da quadrilha na cadeia”, afirmou Arruda.
MULHERES EM POSIÇÃO DE LIDERANÇA
Além de violenta, a Gangue do Pitbull foi definida pela polícia como extremamente organizada. Dentre os presos, três criminosos eram considerados "braço direito" do líder Leonardo Lindolfo.
Janaína Jesus de Souza, a Nani, irmã de Leonardo, era uma das líderes do grupo. Ela também era uma das responsáveis por distribuir as drogas que o irmão trazia da Bahia. Para despistar, mantinha um restaurante de fachada, fruto do lucro do tráfico.
"Janaína, Thiago Marçal da Silva e Bruno Soares, atuavam como líderes, ao lado de Leonardo. Bruno era o principal gerente da gangue. Thiago recebia as drogas e fazia a distribuição. A quadrilha tinha tarefas bem divididas. Eles eram separados em grupos onde cada um era especialista em um tipo de droga e responsável por um ponto de comércio. Além dos líderes, os outros atuavam como executores, olheiros ou vendedores", contou delegado Tarik Souki.
O delegado completou que entre os detidos está o responsável pelo armamento da quadrilha. Mayke Ferreira Medeiro, o "Senhor das Armas", fazia a distribuição do armamento ao lado da mulher Tereza Izabel de Araújo dos Anjos, a Iza.
 

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