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Em Jabaeté

Irmãos são presos suspeitos de matar mulher e simular suicídio em Vila Velha

Perícia concluiu que Lucelena de Santos Souza morreu por esganadura. Ela deixa três filhos: um bebê de 11 meses e duas crianças, de 4 e 12 anos

Publicado em 14 de Setembro de 2026 às 20:43

Carol Leal

Publicado em 

14 set 2026 às 20:43
Lucelena dos Santos Souza, de 30 anos, foi morta asfixiada pelo companheiro em Vila Velha, no ES
Lucelena dos Santos Souza, de 30 anos, foi morta asfixiada em Vila Velha, no ES Arquivo pessoal | g1 ES

Dois irmãos, de 19 e 23 anos, foram presos suspeitos de matar uma mulher asfixiada e forjar um suicídio em Vila Velha, na Grande Vitória, no domingo (13). Um deles era companheiro e outra era cunhado da vítima, de 30 anos.


Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14), a Polícia Civil informou que o crime aconteceu em uma casa no bairro Jabaeté. O caso foi descoberto após a vítima dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Riviera da Barra, já sem vida.


Inicialmente, o namorado de Lucelena de Santos Souza afirmou que a mulher havia cometido suicídio por enforcamento. Ele disse que estava em uma casa ao lado quando ouviu a mulher gritar e foi com um vizinho até o local. Os dois levaram Lucelena para a UPA de Riviera da Barra.


A Polícia Civil foi acionada e iniciou as investigações. “As informações coletadas pelo plantão do departamento no local são de que tanto a vítima quanto o companheiro passaram a madrugada ingerindo bebida alcoólica e consumindo drogas e, logo pela manhã, tiveram um desentendimento. Quando o plantão chegou ao local, encontrou os familiares, que informaram que, na UPA, um filho da vítima havia relatado ter visto o companheiro e o irmão dele colocando uma corda ao redor do pescoço da vítima”, explicou a delegada Raffaella Aguiar, da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).


A partir desse relato, a polícia passou a desconfiar da versão de suicídio e aprofundou as investigações. Na casa da vítima, a perícia da Polícia Científica constatou que a causa da morte foi esganadura, tipo de asfixia provocada pela compressão do pescoço com as mãos.

Morte teria sido forjada

Segundo a investigação, uma corda foi pendurada em uma porta do quarto para simular um enforcamento. A perícia, porém, concluiu que o objeto era incompatível com as lesões encontradas no pescoço de Lucelena.


Além disso, a corda não estava tensionada e a estrutura da porta não apresentava alterações compatíveis com o peso de uma pessoa pendurada. 


“Pela posição em que a corda estava, dá para perceber que não houve fricção entre o ponto de fixação, no caibro da casa, e a própria corda. A altura em relação ao chão também geraria uma lesão completamente diferente da observada. Então, a lesão é incompatível com a posição em que a corda se encontrava", disse o chefe do Departamento de Perícia Externas da Polícia Científica (PCIES), Perito Oficial Criminal Regis Farani.


O companheiro de Lucelena e o irmão dele, que estava no imóvel, foram levados à delegacia para prestar depoimento. Diante dos indícios de que se tratava de uma morte violenta e da suspeita de envolvimento dos dois, ambos foram presos em flagrante. Segundo a Polícia Civil, eles permaneceram em silêncio.


Os nomes dos suspeitos não foram divulgados e a reportagem não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.

Mãe de três filhos

"Ela era muito família, mas desde que começou a se relacionar com esse cara, há aproximadamente dois anos, ela nunca mais foi a mesma. Vivia na bolha do relacionamento que ela estava vivendo", contou uma familiar que preferiu não se identificar.


A família suspeitava que Lucelena já tinha sofrido outras agressões no passado, mas a vítima nunca admitiu ou contou nada sobre isso.

Teve um momento em que ela chegou com uma marca de corda no pescoço e disse que tentou suicídio, mas conhecemos a Lucelena. Sempre foi uma mãe protetora e jamais faria isso, justamente pensando nos filhos. Desconfiamos, mas ela nunca assumiu

Familiar

Lucelena deixa três filhos, sendo eles um bebê de 11 meses, uma criança de 4 anos e uma de 12 anos. O bebê também é filho do companheiro preso. 


O velório dela aconteceu na manhã desta segunda-feira (14) no bairro Vale Encantado, em Vila Velha. Por volta das 13h, o corpo de Lucelena foi sepultado em um cemitério municipal.

Segundo caso em duas semanas

Outro caso semelhante aconteceu no dia 3 de setembro no bairro Bonfim, em Vitória. Segundo a Polícia Civil, Cintia Renata da Silva, de 41 anos, foi morta com cerca de 16 facadas pelo companheiro dentro de casa. Segundo a Polícia Científica, o homem deixou cartelas de sedativos ao lado do corpo da mulher e fez um corte no pulso dela para simular um suicídio. 


De acordo com a corporação, o companheiro disse que, ao saber da morte de Cinthia, passou mal e foi ao Pronto Atendimento de São Pedro. Lá, ele foi interrogado e afirmou que estava trabalhando quando recebeu a notícia.


"A lesão de defesa mostra que, embora ela possa ter sido dopada, isso não a incapacitou de tentar se defender, o que foi determinante para descartar totalmente a possibilidade de um suicídio", afirmou o perito criminal Wescley Silva Pontes, em uma coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (11).


Cinthia deixou quatro filhos, entre eles duas meninas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que também eram filhas do companheiro dela. O nome do suspeito não foi divulgado.


*Com informações do g1 ES

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