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Luto em Vitória

"Lutou tanto contra o feminicídio", diz Pazolini sobre chefe da Guarda morta

Primeira mulher a chefiar a corporação, Dayse Barbosa Mattos dedicou a vida à proteção de mulheres e crianças e simbolizava o enfrentamento à violência doméstica

Publicado em 23 de Março de 2026 às 10:06

Júlia Afonso

Publicado em 

23 mar 2026 às 10:06
Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo namorado
Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo namorado Crédito: Instagram guardadevitoria_dayse
Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo namorado, era reconhecida pela atuação no combate ao feminicídio. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela se tornou símbolo de força e dedicação na defesa de mulheres e crianças.
"Dayse, que lutou tanto contra o feminicídio, realizava um trabalho extraordinário. Ela dedicou a vida para proteger mulheres e crianças, e infelizmente sofreu esse ato de extrema violência. Temos lutado muito contra violência doméstica, a Dayse simbolizava isso. Atingimos mais de 650 dias sem feminicídio (em Vitória) exatamente pelas políticas públicas que a Dayse comandava, e infelizmente ela se torna vítima dessa violência", destacou o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, em entrevista ao telejornal Bom Dia ES, da TV Gazeta.
Ela salvou muitas vidas de mulheres, liderou uma equipe que é referência no país em salvar vidas
Lorenzo Pazolini - Prefeito de Vitória

Orgulho de ser a primeira mulher no cargo

No Dia Internacional da Mulher de 2024, Dayse concedeu entrevista ao site da Prefeitura de Vitória e falou sobre a importância de ser a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal. "Confesso que é uma função exaustiva e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória", declarou à época.
Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, em Vitória, e era formada em Pedagogia. Ela deixou as salas de aula para ingressar na segurança pública em 2012. Desde então, acumulou experiência em patrulhamento, abordagens e situações de risco.
"Apenas 'estou' comandante, amanhã ou depois, estarei na rua de novo fazendo tudo isso. Sou preparada para isso. A Guarda é um aprendizado diário, não tem rotina. Eu posso programar todo meu dia amanhã, mas por fazer parte da segurança pública e acontecer adversidades é o 'normal", disse, na ocasião.

O crime

Dayse estava dormindo em casa quando seu quarto foi invadido pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada desta segunda-feira (23). Segundo testemunhas, ele entrou no imóvel com o auxílio de uma escada e arrombou a porta. O pai da vítima, Carlos Roberto Trindade Teixeira, dormia no cômodo ao lado.
"Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e vi ele correndo com a arma engatilhada”, contou Carlos, em entrevista ao repórter André Afonso, da TV Gazeta. Após cometer o feminicídio, Diego tirou a própria vida na cozinha da casa.
Dayse deixa uma filha de sete anos. Nas redes sociais, ela compartilhava momentos com a menina, mostrando a rotina das duas, como a preparação de lancheiras saudáveis e a presença da filha em atividades do trabalho.

Relacionamento conturbado

Diego Oliveira de Souza assassinou a namorada, a comandante Dayse Barbosa
Diego Oliveira de Souza assassinou a namorada, a comandante Dayse Barbosa Crédito: Redes Sociais
Segundo o pai de Dayse, o relacionamento do casal durava cerca de quatro anos e era marcado por conflitos. Ele afirmou que a filha havia decidido encerrar a relação. “Isso aconteceu porque ela terminou e disse: ‘Você precisa se tratar’. Já aconteceu de eu ter que tirar ele de cima dela, porque ele a estava segurando pelo pescoço”, relatou.

"Todo mundo chocado", diz presidente de sindicato

O presidente do Sindicato dos Guardas Municipais do Espírito Santo, Manoel Luiz Abreu, esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória para acompanhar a liberação do corpo. Segundo ele, a categoria está abalada.
"Todos estão querendo saber a situação. Todo mundo chocado, pego de surpresa, a gente não esperava por isso. É muita dor em todo o corpo da Guarda. A Dayse era uma servidora valorosa, trabalhou muito para a Guarda enquanto comandante para colocar a corporação nas manchetes, fazendo um grande trabalho. É uma perda irreparável", disse, em entrevista à TV Gazeta.

Vitória decreta luto de três dias

Nas redes sociais, o prefeito Lorenzo Pazolini informou que a prefeitura decretou luto oficial de três dias. "Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público", publicou Pazolini. 

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