Um crime brutal, que terminou com mãe e filha assassinadas a golpes de facão na madrugada de sábado (16), no bairro Residencial Centro da Serra, na Serra. O suspeito, de 34 anos, identificado como Wellington da Cruz Santos, vulgo Bilu, foi preso em flagrante em 18 de maio, em Jardim Limoeiro, no mesmo município.
Michele Germano Sales, de 40 anos, e Milena de Paula Silva Germano, de 24, estavam em casa no momento em que o assassino se aproximou delas, que estavam acompanhadas por uma criança de 5 anos, neta de Michele, filha de outra mulher.
Inicialmente, havia sido informado que elas correram para fora do imóvel e acabaram mortas por Wellington no meio da rua. Em 3 de julho, a Polícia Civil anunciou a prisão de um segundo suspeito: o cunhado de Wellington, Elias Grigorio Laia, de 46 anos.
Novos elementos descobertos ao longo da investigação mostraram que, enquanto Michele era perseguida pela rua, Elias golpeou Milena dentro de casa. Após a saída dele, a filha, já ferida, tentou seguir a mãe, mas nenhuma das duas sobreviveu.
Segundo a polícia, há cerca de dois anos, Wellington mantinha um relacionamento extraconjugal com Michele, que morava em uma casa vizinha. A família da esposa do suspeito também vivia em um imóvel próximo e o relacionamento seria de conhecimento de todos.
Ainda de acordo com informações obtidas pela Polícia Civil, tanto Wellington quanto Michele seriam usuários de drogas e consumiam álcool demasiadamente.
"Tem todo um contexto social muito complicado e perturbado. Naquela noite, eles teriam feito esse consumo abusivo, tanto de droga quanto de álcool, o que faz com que a violência escale ainda mais qualquer possível conflito e acabe numa violência ainda mais brutal. E a dinâmica que ele narra é que estava lá na casa dele, no quintal dele, quando a vítima jogou um rojão no quintal", explicou a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar.
Aquela não teria sido a primeira vez em que Michele teria feito algo do tipo, e a esposa do de Wellington teria decidido confrontá-lo sobre a situação, o que teria feito com que ele se exaltasse e, posteriormente, saísse atrás das vizinhas com o facão.
Segundo o relato dele à polícia, Milena, assassinada junto da mãe, também o provocava com certa frequência e, por isso, teria sido morta. O teor dessas provocações não foi especificado. Ainda de acordo com a chefe da DHPM, o suspeito, que não tinha passagens anteriores pela polícia, teria tentado argumentar que ele era a verdadeira vítima.
"Ele (Wellington) tentou, como é de prática em autores de feminicídio, deturpar a realidade e colocar a culpa na vítima para justificar a barbárie que ele cometeu".
O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, descreveu o caso como uma “barbaridade”.
"A ocorrência que deixou a gente extremamente sensibilizado com a barbaridade que foi cometida nesse crime. Duas mulheres vítimas de feminicídio à base de facão, um sofrimento indescritível, uma atrocidade. E, desde o primeiro momento em que a gente tomou conhecimento dessa barbárie, começamos a trabalhar de forma incansável, constantemente, para poder botar a mão nesse monstro".
Tanto Wellington quanto Elias foram presos e autuados por duplo feminicídio.