Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Polícia investiga

Pais falam sobre professor que usou mesma agulha em alunos no ES: 'Revolta'

Caso aconteceu em Laranja da Terra na semana passada, quando, durante um experimento de tipagem sanguínea, o docente realizou o teste em mais de 40 estudantes

Publicado em 18 de Março de 2025 às 13:42

Carol Leal

Publicado em 

18 mar 2025 às 13:42
Pais de 44 alunos de uma escola estadual, furados com a mesma agulha por um professor de Química durante um experimento de tipagem sanguínea em Laranja da Terra, na Região Serrana do Espírito Santo, relataram nesta terça-feira (18) o sentimento de revolta e preocupação com o caso, que passou a ser investigado pela Polícia Civil. O professor foi demitido e a corregedoria da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) disse que abriu procedimento para apurar o ocorrido. 
Em entrevista ao repórter Enzo Teixeira, da TV Gazeta, uma das mães contou como soube do caso. “A gente ficou sabendo através da minha menina, que ligou e falou que eles estavam indo para o hospital para fazer o exame porque o professor tinha furado eles com uma agulha, todos eles com a mesma agulha. Ele (o professor) levou (os alunos) para fazer uma aula de Química no laboratório, só que não passou para a diretora a aula que ia dar. E aconteceu isso aí, dele furar o dedo de todos com a mesma agulha, uma lanceta”, disse.
O sentimento é de revolta. Na minha opinião, como mãe, eu achei um absurdo ele ter feito isso sem autorização do pai e da mãe
X - Mãe de aluna
O nome da escola, do professor e dos entrevistados não estão sendo divulgados para não expor os estudantes. 
"A escola levou os alunos para fazer um exame. Fizeram teste rápido, deu todos eles negativo, mas a preocupação da gente, como pai e mãe, é: e no futuro? O que vai acontecer? Porque algumas doenças não aparecem do dia para o outro, né? Demora anos para poder aparecer. Que garantia eles vão dar pra gente de que um filho da gente não vai pegar alguma coisa e ficar doente daqui um ano, dois anos?", disse.
"Querendo ou não, o professor violou o direito do pai, né? São todos menores, e ele quis passar por cima da autoridade dos pais", completou a mãe durante a entrevista.
O pai de outra aluna disse que, apesar de a escola ter feito exames nos alunos, e estes indicarem que todos passam bem, ele fará um exame particular. "A gente se preocupa, porque a gente acompanha nossos filhos desde pequenos, com as vacinações certas, e a gente tem que se preocupar. Eu vou fazer um exame particular na minha filha para ter uma segurança maior."

O outro lado

Nesta quinta-feira (20), em nota, a defesa do professor declarou que “a única preocupação dele é o bem-estar dos alunos e da comunidade escolar envolvida nesta situação”.
O advogado Enoc Joaquim da Silva disse que “nos últimos dias fora divulgada a informação de que o professor não teria sido localizado pela autoridade policial", o que segundo a defesa não procede, "vez que desde a última terça-feira a defesa do professor fez contato com a assessoria do Ministério Público e com a Autoridade Policial de Laranja da Terra, se colocando à disposição para qualquer esclarecimento necessário".
“Imperioso destacar que o professor sempre desenvolveu seu trabalho com zelo e ética, buscando sempre o melhor caminho para o aprimoramento educacional de seus alunos, sendo profissional da área há pelo menos 13 anos”, disse o advogado, na nota.
A defesa informou que o professor prestou depoimento na quarta-feira (19) à polícia em Laranja da Terra, apresentando o que chamou de “verdadeira narrativa dos fatos”. O advogado confirmou que a demissão do professor se deu de forma unilateral pela Secretaria de Estado de Educação (Sedu).
Segundo a defesa, não será detalhado o teor do que o professor demitido disse à polícia “a fim de não trazer prejuízo ao trabalho investigatório”.
“A aula prática com os alunos não se tratou de realização de exame para identificação do tipo sanguíneo dos alunos e sim de visualização de células em microscópio, tendo o professor se cercado de todos os cuidados necessários (de acordo com os materiais que tinha a sua disposição) para evitar qualquer tipo de prejuízo ou risco aos alunos", informou a defesa do professor.
Por fim a defesa disse que a participação dos alunos no experimento “se deu de forma voluntária, não havendo qualquer imposição ou constrangimento para a participação dos mesmos nas atividades desenvolvidas", que as "atividades se deram em Laboratório de Ciência existente na própria instituição educacional”, e que o professor está à disposição para “qualquer esclarecimento”.

Relembre o caso 

Mais de 40 alunos de uma escola de Laranja da Terra chegaram a ser hospitalizados após o professor realizar testes de tipagem sanguínea reutilizando a mesma agulha na última sexta-feira (14).
De acordo com a Secretaria da Educação (Sedu), os alunos fazem parte das turmas de 2ª e 3ª série do Ensino Médio e têm idades entre 16 e 17 anos. Eles participavam da aula de Práticas Experimentais em Ciências, ministrada por um professor de Química que demonstrou como realizar um teste para descobrir o tipo sanguíneo de cada um.
A Sedu informou ainda que os alunos estão bem e frequentando as aulas normalmente. Todos os 44 estudantes foram submetidos a teste rápido de diagnóstico de infecção, que deu negativo para todas as doenças testadas. Quanto ao professor, que não teve identidade divulgada, o contrato foi encerrado e o caso foi encaminhado para a corregedoria da Sedu.
Na segunda-feira (17), ocorreu uma reunião entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde para alinhar o protocolo a ser adotado no acompanhamento dos estudantes, que vão refazer os testes em 30 dias. Ainda na segunda-feira, a escola se reuniu com pais e alunos. Eles informaram à TV Gazeta que a reunião teve o objetivo de "acalmar" os pais e orientá-los sobre como proceder com os filhos.
Segundo a Polícia Civil, o caso seguirá sob investigação da Delegacia de Polícia de Laranja da Terra e detalhes da investigação não serão divulgados no momento. Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Secretaria Municipal de Saúde respondeu que se prontificou rapidamente a atender os adolescentes no dia do ocorrido e que segue acompanhando o caso.

Nota da Prefeitura de Laranja da Terra (na íntegra)

"A Secretaria Municipal de Saúde de Laranja da Terra recebeu a informação de que alunos de uma escola necessitavam de atendimento urgente. 

Vale ressaltar que cabe à Secretaria Estadual de Educação, juntamente com outros órgãos estaduais, esclarecer os detalhes sobre o ocorrido dentro da unidade escolar.

Diante da demanda, a Secretaria acionou o médico plantonista do hospital e a Vigilância Epidemiológica do município, estruturando uma linha de ação imediata. Além disso, foi feito contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, que orientou sobre os protocolos e medidas a serem adotadas na ocasião.

 Foram prestados 44 atendimentos, pelas equipes do Hospital Municipal de Laranja da Terra e da Unidade Básica de Saúde da sede. Todos os atendidos estavam em boas condições de saúde, sem apresentar sintomas incomuns ou agravantes. 

 A Secretaria Municipal de Saúde segue acompanhando o caso de perto prestando apoio aos alunos e familiares."

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Barrado nos EUA para a Copa, 'melhor árbitro da África' é recebido como herói na Somália
Imagem de destaque
Municípios devem guardar vacina do Butantan até nova decisão
Imagem de destaque
Após condenação, deputado Lucas Polese contesta sentença e diz que vai recorrer

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados