Os três policiais civis afastados por tráfico de drogas — um deles, preso — desviavam entorpecentes apreendidos para criminosos da facção que atua na Ilha do Príncipe, em
Vitória. A afirmação é da
Polícia Federal, que, junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo (
MPES), realizou a
Operação Turquia, nesta sexta-feira (7) para afastar os agentes de segurança investigados, prender um deles e outro alvo, e fazer buscas na Capital, em Vila Velha e na Serra.
Os nomes dos policiais não foram divulgados, mas A Gazeta apurou que o preso é Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha e os afastados são Eduardo Aznar Bichara e Erildo Rosa Junior. O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES) informou que está dando apoio jurídico aos policiais Erildo e Bichara. Já Cunha estaria com um advogado particular, o qual a reportagem tenta localizar. O espaço segue aberto para manifestação.
As investigações começaram após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em fevereiro de 2024. Depois disso, com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e servidores públicos do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) mantinham relação, indicado uma possível cooperação ilícita durante diligências policiais.
Os levantamentos apontaram que parte das drogas apreendidas em ações oficiais poderia estar sendo desviada para a própria organização criminosa. O esquema funcionava assim: uma fração do entorpecente não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.
O nome da ação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados. A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.