Um policial civil foi preso e outros dois afastados
suspeitos de desviar drogas apreendidas para traficantes que atuam na Ilha da Príncipe, em Vitória. Os três atuavam no Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo e foram alvos da
Operação Turquia, deflagrada pela
Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (
MPES) para cumprir os afastamentos e dois mandados de prisão temporária — um contra o PC e o outro para suspeito que não é servidor público, além de cinco mandados de busca e apreensão. A ação ocorreu em Vitória, Vila Velha e Serra.
Os nomes dos policiais civis não foram divulgados, mas A Gazeta apurou que Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha foi preso e que Erildo Rosa Junior e Eduardo Aznar Bichara foram afastados. O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES) informou que está dando apoio jurídico aos policiais Erildo e Bichara. Já Cunha estaria com um advogado particular, o qual a reportagem tenta localizar. O espaço segue aberto para manifestação
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em fevereiro de 2024. Posteriormente, com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e os servidores públicos mantinham relação, indicando uma possível cooperação ilícita durante diligências policiais.
Os levantamentos apontaram que parte das drogas apreendidas em ações oficiais poderia estar sendo desviada para a própria organização criminosa. O esquema funcionava assim: uma fração do entorpecente não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.
Os suspeitos são investigados por tráfico de drogas, associação para o tráfico e participação em organização criminosa. No caso dos policiais, as condutas também indicam possível prática de peculato e corrupção passiva, assim como os traficantes podem ser enquadrados por corrupção ativa.
O nome da ação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados. A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.