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Até submetralhadora

Quadrilha é presa acusada de fabricar armas caseiras para o tráfico no ES

Grupo fabricava armas de diversos calibres, inclusive submetralhadoras, em uma oficina mecânica no bairro Rosa da Penha, em Cariacica

Publicado em 04 de Setembro de 2019 às 14:56

Caique Verli

Publicado em 

04 set 2019 às 14:56
Uma quadrilha que produzia centenas de armas caseiras para o tráfico de drogas em Cariacica e Vitória foi presa pela Polícia Civil. Os suspeitos, segundo a Polícia Civil, fabricavam armas de diversos calibres, inclusive submetralhadoras, em uma oficina mecânica no bairro Rosa da Penha, em Cariacica.
Dois funcionários dessa oficina, Patrício Ferreira Campos, de 37 anos, e Klayverton da Silva, de 24 anos, foram presos em flagrante nessa oficina, no dia 23 de agosto. Além deles, Janderson Andrade Coelho, 34 anos, foi preso em flagrante em casa, em Campo Grande, também em Cariacica, no mesmo dia.
"Essas armas eram confeccionadas a pedido dos traficantes. Eles faziam diversos calibres, como .40 e 380 e inclusive submetralhadoras. A especialidade dessa organização criminosa era prolongar os carregadores, dificultando as ações da Polícia. Tinha carregadores com capacidade de até 50 munições", detalha o delegado Gabriel Monteiro, da Delegacia Especializada de Crimes Contra Transporte de Cargas (DCCTC). A delegacia está à frente das investigações porque a suspeita inicial, que já foi descartada pela polícia, era de que o grupo produzia armas para assalto de cargas.
Quadrilha é presa acusada de fabricar armas caseiras para o tráfico no ES
Janderson, que é apontado pela Polícia Civil como o chefe da quadrilha, chegou a reagir à abordagem dos policiais, que entraram em luta corporal com o suspeito. Janderson, que não teve a profissão declarada, acabou atingido por um tiro no peito, ficou três dias internado e depois foi levado para o presídio.
O dono da oficina, Weverton Braga de Sousa, é apontado também como um dos cabeças do esquema, mas não foi preso em flagrante porque não estava no estabelecimento nesse dia. Ele foi ouvido pela Polícia na delegacia e disse que desconhecia o material encontrado na oficina. Weverton, porém, não convenceu os policiais e teve a prisão pedida pela Polícia, que aguarda análise da Justiça.
Klayverton e Patrício conseguiram, posteriormente, um alvará de soltura e saíram da prisão. Já Janderson continua preso. Na oficina, a Polícia apreendeu materiais que eram usados na produção de armas, como placas de aço e amortecedores para serem usados como mola para os carregadores das armas.
A Polícia não divulgou a quantidade e nem quais bairros recebiam essas armas para não atrapalhar as investigações, mas disse que eram várias comunidades de Vitória e de Cariacica.
Os quatro suspeitos foram indiciados por porte de arma de fogo de uso restrito, comércio ilegal de armas de fogo e organização criminosa. Segundo o delegado, Klayverton e Patrício já tinham passagens na Polícia por tráfico de drogas e Janderson por porte ilegal de arma de fogo. A Polícia Civil investiga a participação de outros suspeitos nessa quadrilha.
A reportagem não conseguiu localizar as defesas de Klayverton, Patrício e Janderson. Por telefone, o dono da oficina, Weverton Braga de Sousa, negou que tenha envolvimento com a quadrilha. Alegou que não estava na oficina naquele dia e que não tinha conhecimento do material apreendido no estabelecimento. "Sou trabalhador, não tenho nada com isso não. O Janderson eu só conhecia como cliente, mas não tenho envolvimento com crime", se defendeu Weverton.

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