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Estelionato

Suspeita de dar golpes bancários é presa com 18 documentos falsos em Guarapari

A suspeita, que não teve o nome revelado, fazia parte de uma organização criminosa especializada em aplicar golpes em aposentados e pensionistas do INSS

Publicado em 18 de Fevereiro de 2022 às 13:32

Daniel Pasti

Publicado em 

18 fev 2022 às 13:32
No quarto onde a suspeita estava ficando foram encontradas 18 cédulas de documentos falsificados
No quarto onde a suspeita estava ficando foram encontradas 18 cédulas de documentos falsificados Crédito: Divulgação/PCES
Uma mulher suspeita de aplicar golpes em aposentados e pensionistas do  Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi presa no bairro Muquiçaba, em Guarapari, nesta quarta-feira (16). Segundo a Polícia Civil, ela faz parte de uma organização criminosa especializada em contratar empréstimos em nome dessas pessoas e, com ela, foram encontradas 18 identidades falsas, que seriam - ou já foram - utilizadas para dar os golpes. A suspeita não teve o nome divulgado pela polícia.
Segundo o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, titular da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Guarapari, a mulher foi presa em flagrante dentro de uma agência bancária. O delegado explicou que a suspeita havia solicitado um empréstimo em nome de um idoso no valor de R$ 35 mil e que ela insistiu que o dinheiro fosse sacado no mesmo dia. 
A suspeita de aplicar os golpes, presa em Guarapari, teve a foto divulgada
A suspeita de aplicar os golpes, presa em Guarapari, teve a foto divulgada Crédito: Divulgação/PCES
Mas, de acordo com Guilherme Eugênio, como a Caixa Econômica Federal possui um mecanismo de segurança que não autoriza a transferência desse tipo de transação no mesmo dia da efetivação do processo, a suspeita não poderia sacar o valor. Ela teria insistido com a gerente do banco, que, segundo o delegado, começou a suspeitar.
"A Caixa não autoriza o saque no mesmo dia, só no dia seguinte. E, normalmente, esse dinheiro é transferido para outras contas. É relativamente raro que a pessoa saque o dinheiro no mesmo dia. A estelionatária insistiu muito, querendo sacar o dinheiro no mesmo dia, fato que acendeu um alerta na gerente do banco e fez com que essa gerente buscasse a inteligência bancária, que contatou a Polícia Civil. Assim que nós fomos contatados, a equipe da Deic se dirigiu até a agência bancária, aguardou o momento no qual a gerente marcou um horário com a estelionatária para que o dinheiro fosse sacado em espécie. A minha equipe estava presente e fez a prisão em flagrante da estelionatária", narrou o delegado.
Em seguida, como relatou Guilherme Eugênio, a equipe foi até o quarto que estava sendo alugado pela estelionatária. Lá, eles encontraram os documento de 18 pessoas que seriam ou já foram vítimas da organização criminosa, além de impressora profissional e dinheiro. Uma das fotos que seriam utilizadas nos documentos falsos era da própria suspeita.
O delegado explicou que os nomes dessas pessoas serão reveladas para que elas entrem em contato com a Polícia Civil. Segundo Guilherme Eugênio, são pessoas que não fizeram nada de errado e que tinha uma pensão que foi objeto de cobiça da quadrilha. As vítimas são:
  • Cione Schraiber Pena;
  • Andrews Barcelos De Oliveira;
  • Leandro Mariano Aguiar;
  • Maria Lucia Oliveira;
  • Evandro De Oliveira Pio;
  • Cláudio Márcio Silva Dos Santos;
  • Alessandro Mathera;
  • Rodrigo Dos Santos Fernandes;
  • Leandro Mariano Aguiar;
  • Reinaldo Simas Ferreira;
  • Marcelo Augusto Ramos;
  • Luciano Da Silva Alves;
  • Alexandre Cansanção Cândido Renzulo;
  • Gabriela De Oliveira Alves Sanches Vailati;
  • Miguel Nicolau;
  • Antero Antunes Rodrigues Da Silva;
  • Aldemir Dos Santos Freitas;
  • Diego Corrêa Da Rocha.

POSSÍVEL VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES

Guilherme Eugênio explicou que a quadrilha possuía dados das vítimas que permitiam a abertura de uma solicitação de crédito consignado junto ao INSS. Desta forma, conforme o delegado, a Polícia Civil está investigando como os criminosos tiveram acesso a esses dados. O delegado levantou as possibilidade de um vazamento interno por algum funcionário ou um vazamento geral irregular de dados, algo que já foi registrado no Brasil.
"Nós oficiamos o INSS com todos os detalhes relacionados a cada extrato, buscando explicações deles sobre o vazamento desses dados. Não necessariamente há um servidor integrante da quadrilha, mas, de alguma forma, esses dados foram parar nas mãos da organização", acrescentou.
O delegado argumentou que todas as vítimas do golpe são aposentados ou pensionistas do INSS, uma vez que, para a socilicitação desse tipo de crédito consignado, é necessário confirmar uma renda estável. 

DONO DE RESTAURANTES ENVOLVIDO COM A QUADRILHA

Guilherme Eugênio relatou que a quadrilha é de Brasília e que quatro membros já foram identificados, sendo três homens e uma mulher - a que foi presa em Guarapari. Ela residia em um restaurante na cidade, cujo dono, como disse o delegado, já havia alugado os quartos para outros integrantes da organização criminosa.
"O dono do restaurante tinha recebido, dois meses atrás, um dos membros da organização criminosa e esse membro recebeu a estelionatária que foi presa agora. Nós percebemos que o dono do restaurante é o anfitrião de toda a quadrilha em Guarapari. Ele tem envolvimento com os três homens e a mulher que, até o momento ,foram identificados como membros da organização", declarou o delegado.
Segundo Guilherme Eugênio, o homem, que não teve o nome revelado, também é funcionário público e chegou a ir a um banco junto com a estelionatária e a apresentou à gerente, para tentar dar credibilidade para a mulher e conseguir, assim, a concessão do crédito consignado.
"Eles tentaram a contratação de um crédito junto ao Banco do Brasil e o banco, por algum motivo, postergou a entrega do dinheiro. Como ele mesmo apresentou a estelionatária para a gerente de relacionamento dele, ele ficou inseguro quando percebeu que o financiamento não saiu na hora esperada. Então, ele começou a tentar convencer a quadrilha a desistir daquela contratação, temendo que chegasse até ele. É a única pessoa de Guarapari e a única pessoa pública, ele é muito conhecido em Guarapari", disse.

ATUAM EM TODO O PAÍS

Ainda conforme o relato do delegado, a Polícia Civil suspeita que a quadrilha aplique golpes em vários estados do país. Segundo Guilherme Eugênio, eles têm que falsificar as identidades das vítimas conforme o padrão gráfico de cada estado.
"Tudo indica que essa organização atua em todo o Brasil, hora em um estado, hora em outro, uma vez que em cada estado eles têm que falsificar os documentos de identidade expedidos naquele estado. O nosso padrão gráfico de identidade é diferente do padrão dos outros estados", completou.

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