Alysson Oliveira Marinho estava preso, por meio de um pedido de prisão temporária, no Centro de Detenção Provisória de Viana II e foi liberado no último dia 22 de outubro, quando venceu o prazo. A informação da soltura, porém, foi confirmada neste sábado (1º) pelo advogado de Alysson e pela
Secretária da Justiça do Espírito Santo (Sejus).
Alysson é companheiro de Bruna Garcia Barbosa Marinho, também suspeita do crime contra o médico e que segue detida no Presídio Feminino de Bubu, em
Cariacica, já que foi denunciada pela situação e ainda é alvo das investigações, como afirma a defesa do casal.
Segundo o advogado James Gouvea Freias, que faz a defesa de Alysson e de Bruna, a soltura do seu cliente se deu pois a polícia teria, segundo James, chegado à conclusão de que o homem não teve relação com o esquema financeiro e com o envenenamento.
“Alysson nem responde mais ao processo. Foi feita justiça. Em relação à Bruna, acredito que a verdade vai aparecer ao decorrer do processo e ela será absolvida”, diz James.
Por outro lado, a defesa do médico envenenado, feita pelo advogado Waldyr Loureiro, relatou à reportagem de A Gazeta, neste sábado (1º), que recebeu a informação da soltura de Alysson com surpresa.
“São diversos elementos que mostram a participação dos dois [Bruna e Alysson] no caso. Além do desvio pecuniário, tem a nota fiscal de compra do veneno em nome do Alysson e a Bruna alega, no depoimento dela, que ele tinha conhecimento, apesar de ele negar. Agora vou solicitar habilitação como advogado de acusação [contra os suspeitos] e requerer uma medida protetiva para proteção da vítima e da família, já que estão todos receosos com a situação”, explica Loureiro.
A reportagem também procurou o
Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para pontuar a ausência de denúncia contra Alysson. O órgão ministerial, porém, esclareceu em nota que, como o caso tramita sob sigilo judicial, não é possível dar detalhes sobre a ação.
No período do suposto desvio financeiro, o médico começou a apresentar sintomas compatíveis com intoxicação crônica por arsênio: diarreia, vômitos, anemia, inchaço nos membros e perda de peso.
O médico só desconfiou das ações da funcionária em março deste ano, quando Bruna teria sido confrontada com as informações e se demitiu.
Em abril, a esposa do médico descobriu cheques em nome do marido e frascos de arsênio e laxante na unidade médica em um local que era utilizado por Bruna. Quando o caso chegou à polícia, segundo a investigação, laudos periciais confirmaram a presença de arsênio nos frascos e atestaram o envenenamento da vítima.
Devido à intoxicação, o médico apresentava inchaços no corpo e vomitava sangue. O homem chegou a procurar diversos colegas de profissão para entender o que estava acontecendo, mas nunca chegou a uma resposta.
Atualmente, segundo a defesa da vítima, o médico sofre com sequelas causadas pelo envenenamento, como agravamento na doença de Parkinson, dificuldade ao caminhar e problemas cardíacos.