Procurado pela polícia por se envolver em um acidente que resultou na morte da namorada, a universitária Sara Gimenes Torres, de 22 anos, na Rodovia Leste-Oeste, em Castelo Branco, Cariacica, no último dia 22 de abril, Ramon Mapelli dos Santos, de 24 anos, possui um histórico de ocorrências policiais, incluindo infrações de trânsito, ameaças e agiotagem.
Conforme a decisão do juiz Alexandre Pacheco Carreira, que decretou sua prisão preventiva, a determinação garante a ordem pública, além da instrução e aplicação da lei penal. No dia do acidente, Ramon conduzia um Toyota Etios quando perdeu o controle do veículo, rodou na pista, colidiu contra um poste e capotou, deixando o local em seguida.
Imagens de videomonitoramento (veja acima) divulgadas pela Polícia Civil mostram três automóveis — incluindo o dirigido por Ramon — participando, segundo a corporação, de uma corrida ilegal, conhecida como “racha”, na rodovia.
A decisão do juiz Alexandre Pacheco Carreira aponta que o investigado já esteve envolvido em casos de ameaça, incluindo um registro em 2020 e outro mais recente, no qual teria intimidado uma vítima com o uso de arma de fogo.
Também há, nos autos, informações de que ele teria se envolvido recentemente com agiotagem, com cobrança abusiva de valores e intimidação de vítimas. Em um dos episódios, ele teria feito ameaças e exposto a vítima em redes sociais, chegando a prometer violência.
O magistrado destacou ainda que Ramon foi preso em flagrante por receptação, em 2024, após ser encontrado com ele um celular com restrição de furto ou roubo. Além disso, há registros de envolvimento em crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria.
Procurada, a defesa de Ramon informou, em nota (veja completa abaixo), que trabalha para comprovar a inocência do jovem em relação à acusação de homicídio doloso. Segundo os advogados, após análise dos autos e das provas produzidas até o momento, não há elementos materiais que indiquem a ocorrência de racha ou disputa de velocidade entre os veículos envolvidos.
A defesa ainda afirmou que confia na continuidade das investigações para esclarecer a dinâmica do caso e sustenta que os fatos não se enquadram como homicídio doloso
Pedido de perdão
Na ocasião da morte da namorada, Ramon entrou em contato com a família de Sara para pedir perdão e afirmou que pretendia se apresentar à polícia, o que não aconteceu, o que resultou no pedido de prisão dele.
Em entrevista ao produtor da TV Gazeta, Breno Alexandre, o tio da jovem, Fernando Gimenes, contou que Ramon Mapelli solicitou autorização para comparecer ao velório, pedido que foi recusado pelos familiares.
Segundo o tio da vítima, o namorado de Sara entrou em contato com a família por meio de uma chamada de vídeo e se mostrou bastante abalado. “Ele pediu perdão, desesperado, chorando. Falou mais de uma vez que era apaixonado pela Sara, que ela era a paixão da vida dele”, relatou.
Ainda de acordo com o familiar, o rapaz questionou o que poderia fazer diante da situação, mas foi informado de que nada mudaria o ocorrido.
Sara estava no carro que capotou na Rodovia Leste-Oeste e caiu em uma valeta central de drenagem. A jovem ficou presa às ferragens e chegou a ser levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, mas não resistiu.
Uma amiga de Sara, que estava no banco de trás do veículo, contou à Polícia Militar que o namorado da vítima dirigia o automóvel, enquanto a vítima encontrava-se ao lado, no assento do carona. A amiga teve ferimentos leves; já o namorado de Sara fugiu do local, segundo a corporação.
Nota defesa de Ramon Mapelli dos Santos
"A defesa técnica de Ramon Mapelli dos Santos vem a público esclarecer que trabalha para comprovar a inocência de seu cliente frente à acusação de homicídio doloso que lhe foi atribuída.
Após análise minuciosa dos autos e das provas até o momento produzidas, reafirmamos que inexiste qualquer elemento material que sustente a ocorrência de racha ou disputa de velocidade entre os veículos envolvidos.
Diante disso, certos na continuidade das investigações, que trarão melhores esclarecimentos da real dinâmica do ocorrido e luz ao ocorrido. Desde já, informamos que a atuação dos advogados trabalha para devida correção da capitulação jurídica que cabe ao caso, visto que notadamente os fatos narrados não guardam relação com a figura delitiva de homicídio doloso.
Reiteramos nosso compromisso com a busca pela verdade real e com o pleno exercício do contraditório, mantendo-nos à disposição para novos esclarecimentos no decorrer da instrução processual."
Maria Eduarda Tacon - advogada de Ramon Mapelli
Leia Mais Sobre o Caso