Nove pessoas se tornaram réus pela morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, conhecido como "Bracinho", homem em situação de rua que desapareceu em março deste ano, na Praia do Suá, em Vitória. Segundo a Polícia Civil, oito dos denunciados estão presos e um permanece foragido.
Os réus são apontados pela polícia como integrantes de uma equipe de rondas de uma empresa de segurança privada. De acordo com a investigação, o grupo teria raptado e matado Marcos Vinícius após identificá-lo como uma das pessoas que, segundo os vigilantes, cometiam pequenos furtos ou causavam “perturbação” em condomínios monitorados pela empresa.
Vigilantes
- Gabriel dos Santos Amaral, de 29 anos (preso);
- Lucas Miguel Oliveira dos Santos, 28 anos (foragido);
- Paulo Henrique Esteves Silva, 30 anos (preso);
- Rafael de Souza Silva, de 33 anos (preso);
- Saimon Sales Cesar, de 30 anos (preso);
- Thiago Gonçalves, de 24 anos (preso);
- Ralson Amancio Chagas, de 42 anos (preso);
- Celso Henrique de zevedo, de 25 anos (preso).
- Gabriel Fittipaldi, 22 anos (preso).
Segundo o delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), a investigação identificou que o grupo atuava havia pelo menos dois anos.
Os integrantes monitoravam pessoas em situação de rua que, na avaliação deles, causavam algum tipo de “perturbação” nos condomínios atendidos pela empresa e combinavam ações para retirá-las dos locais.
Ainda de acordo com o delegado, a atuação ia além das funções dos vigilantes. Os rondistas deveriam verificar alarmes e, em casos de furto ou invasão, acionar as forças de segurança. No entanto, segundo a investigação, o grupo passou a capturar e agredir pessoas em situação de rua.
No caso de Marcos Vinícius, a polícia identificou que ele já havia sido agredido pelo grupo em 8 de março, depois de ser apontado como uma pessoa que havia entrado em um condomínio monitorado pela empresa.
Segundo a investigação, ferramentas foram usadas durante a agressão, inclusive alicates para arrancar dentes da vítima. Marcos conseguiu fugir naquela ocasião. Entre a noite do dia 16 e a madrugada de 17 de março, os integrantes teriam identificado, por meio das imagens de segurança, que Marcos havia entrado na empresa onde trabalhavam, na Praia do Suá.
Segundo a polícia, a partir dessa identificação, o grupo teria combinado, por meio de um grupo de WhatsApp, o rapto, o local para onde a vítima seria levada e a execução.
“Ele não foi torturado até a morte. Na verdade, a morte foi mediante tortura. A gente já tem a comprovação que o homicídio já era o desejo desse grupo criminoso”, afirmou o delegado.
O coordenador de videomonitoramento do grupo teria sido acionado especificamente para participar do homicídio e da ocultação do cadáver. Além do caso de Marcos Vinícius, o grupo é investigado pela tortura de outras duas pessoas em situação de rua.
Marcos Vinícius desapareceu na madrugada de 17 de março, na Praia do Suá. O corpo foi encontrado posteriormente em uma área de vegetação de eucalipto, nas proximidades do Contorno de Jacaraípe, na Serra.
Uma câmera de videomonitoramento registrou o momento em que a vítima foi abordada na Rua Ulisses Sarmento. Segundo a investigação, oito homens, alguns deles em motocicletas, participaram da ação.
Nas imagens, um dos suspeitos aparece apontando uma arma para Marcos, que é colocado dentro de um carro da própria empresa. A vítima foi levada para a Serra, onde, segundo a polícia, foi espancada até a morte.
Foi a mãe de Marcos Vinícius quem comunicou o desaparecimento à polícia. Ela costumava levar marmitas diariamente para o filho e estranhou quando não o encontrou no dia seguinte ao crime.
A companheira de Marcos, que também vivia em situação de rua, contou à mulher o que havia acontecido. Depois disso, a mãe decidiu procurar as autoridades.
Em 21 de abril, dois homens foram presos durante a Operação Invisíveis. Em maio, outros dois vigilantes foram detidos na segunda fase da operação. Eles se apresentaram espontaneamente na sede da DEPD e tiveram mandados de prisão temporária cumpridos.
A reportagem tenta localizar as defesas dos réus. O espaço segue aberto para manifestações.
Em 15 de maio, a Polícia Federal encerrou as atividades de segurança privada de uma empresa de portaria virtual que atuava em Vitória e tinha funcionários invstigados pela morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues.
A ação fez parte da Operação Segurança em Pauta III e foi realizada pela Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal. Segundo a PF, durante as apurações, feitas com apoio da Polícia Civil, foi constatado que os envolvidos no crime estavam vinculados à empresa, que não tinha autorização da corporação para atuar no setor de segurança privada.
Ainda segundo a PF, os funcionários realizavam rondas noturnas uniformizados e utilizavam tonfas (bastões), armas brancas (cortantes) e simulacros de arma de fogo
(imitações).
Diante das irregularidades, foi lavrado um auto de encerramento da atividade de segurança privada clandestina.
À época, em contato com a reportagem da TV Gazeta, um representante da empresa afirmou que apenas um dos serviços oferecidos havia sido encerrado na ação da PF. Segundo ele, a empresa foi surpreendida pela atuação dos funcionários investigados, que foram afastados.