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Crise no partido

Com saída de Bolsonaro, Manato prevê debandada no PSL do ES

O presidente do PSL no Espírito Santo admite que a possível saída de Bolsonaro poderá enfraquecer a sigla, mas não abre mão de apoiar o governo inclusive para uma reeleição.

Publicado em 09 de Outubro de 2019 às 22:18

Maíra Mendonça

Publicado em 

09 out 2019 às 22:18
Carlos Manato é candidato a governador pelo PSL Crédito: Marcelo Prest
Com a sinalização do presidente da República, Jair Bolsonaro, de abandonar o seu partido, o PSL, o presidente regional da sigla, o ex-deputado federal Carlos Manato, já prevê uma debandada no Espírito Santo. A eventual fuga de correligionários pode impactar planos eleitorais da agremiação para 2020.
Com saída de Bolsonaro, Manato prevê debandada no PSL do ES
“Eu acredito que com a saída do presidente, que é o líder maior, os admiradores dele podem sair sim. Vai ter alguma perda, que não posso mensurar agora. Mas estamos trabalhando aqui para fortalecer o partido de qualquer forma. Tempo de TV e dinheiro a gente não vai perder porque isso foi definido nas eleições de 2018", pontuou.
Mesmo com a possibilidade de perder a sua referência nacional, Manato garante que manterá o apoio a Bolsonaro e trabalhará para fortalecer o PSL no Estado.
A polêmica em torno de uma possível saída de Bolsonaro do PSL teve início nesta terça-feira (8), quando o presidente disse a um apoiador que se identificou como pré-candidato pela legenda no Recife para que ele esquecesse o partido e afirmou que Luciano Bivar “está queimado para caramba”.
Bivar, por sua vez, não colocou panos quentes. "Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu. Mostra que ele não tem mais nenhuma relação com o PSL", declarou o dirigente ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Embora “triste” com a situação, Manato mantém seu apoio a Bolsonaro. Segundo ele, o PSL no Espírito Santo apoiará o presidente até mesmo em sua reeleição, em 2022.
“Se ele sair fico triste, nós construímos esse projeto lá atrás e gostaríamos que ele continuasse. Tomara que os bombeiros continuem a apagar o incêndio”, disse ele, que também pontuou: “O PSL é e vai continuar sendo o partido dele. Eu não abro mão disso”.
Bancada
Parlamentares eleitos pelo partido em 2018 no Espírito Santo admitem que acompanhariam Bolsonaro em uma nova legenda. A deputada federal Soraya Manato (PSL) avalia que o momento ainda é de muitas especulações. No entanto, afirma que como acredita no projeto do presidente Bolsonaro para o país, ele sempre terá o seu apoio. "Não houve um comunicado oficial por parte do presidente Jair Bolsonaro e nem a cúpula do PSL se manifestou de alguma forma. Posteriormente, caso haja alguma mudança, o PSL se reunirá para resolver a posição a tomar. O momento, agora, é de trabalhar pelo Brasil e pelo Espírito Santo", disse a deputada, que também é esposa do presidente estadual do PSL, Carlos Manato.
Na Assembleia Legislativa, o PSL chegou a conquistar a maior bancada, com quatro deputados. No entanto, alguns deles não descarta acompanhar o destino de Bolsonaro, como é o caso do Capitão Assumção. "Deixo bem claro que meu partido é o Brasil, onde Bolsonaro estiver eu estou junto com ele. Eu sou bolsonarista. Estamos fazendo uma ruptura com a velha política. O presidente está numa condição de saber mais coisas que a gente, tem informações privilegiadas, então temos que acatar o que ele está fazendo lá em cima e depois me reportar aos meus dirigentes aqui", afirmou.
O deputado Torino Marques (PSL) considerou a discussão prematura. "Particularmente acho ainda um mal-entendido. Mas o posicionamento do PSL no Espírito Santo, acaso isso ocorra, é de continuar apoiando o presidente Bolsonaro em suas pautas e ser um partido parceiro. Não haverá uma ruptura do partido com o governo", analisa. Os deputados Danilo Bahiense e Alexandre Quintino não comentaram sobre a possibilidade de mudança de partido.

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