Para colocar na rua uma campanha que seja competitiva, os candidatos precisam de dinheiro. Boa parte dos recursos é repassada pelos partidos, mas a distribuição não é igual para todo mundo. Você sabe como as legendas fazem a divisão no Espírito Santo e quem mais ganha?
Entre os candidatos ao governo do Estado nas Eleições 2026, Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi quem mais recebeu do partido: até o momento, R$ 5,4 milhões. Já Rafael Demuner (UP) tem o repasse mais baixo, de R$ 1.000.
Antes de detalhar a distribuição, que varia conforme o planejamento das legendas a partir do que têm em caixa, é bom saber que o financiamento é público e há duas fontes de recursos: o fundo partidário e o fundo eleitoral.
O fundo eleitoral é voltado exclusivamente ao financiamento de campanhas eleitorais, e os repasses são efetuados apenas em anos de eleição. Os valores são definidos na Lei Orçamentária Anual (LOA) e transferidos pelo Tesouro Nacional ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é o órgão responsável pela distribuição aos diretórios nacionais dos partidos. Pelo menos 30% desse dinheiro deve ser destinado pelas siglas a candidaturas femininas.
Neste ano, foram quase R$ 5 bilhões para os 30 partidos registrados no TSE, mas há critérios para a repartição do dinheiro. Pela legislação, 2% são distribuídos igualmente entre os partidos. O restante do recurso é repassado conforme a representação da sigla no Congresso Nacional, isto é, quanto maior a bancada, mais elevado o montante.
Já o fundo partidário fnancia a manutenção e as atividades permanentes das legendas, como despesas administrativas e aluguéis, mas também pode ser usado em propaganda partidária e campanhas eleitorais. O acesso a esses recursos também leva em consideração o desempenho eleitoral dos partidos.
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini é o que, até agora, soma mais recursos para concorrer ao governo do Espírito Santo. Ele recebeu R$ 3,25 milhões da executiva nacional do Republicanos e outros R$ 2,15 milhões do diretório estadual do partido. Para a disputa ao Senado Federal, a legenda repassou R$ 2,5 milhões para Evair de Melo.
O partido foi procurado pela reportagem de A Gazeta para falar sobre a distribuição dos recursos, por diversas vezes desde o fim de agosto, mas não houve retorno.
Com pouco mais de R$ 5,2 milhões em caixa repassados pelo diretório nacional do PT, Helder Salomão é o que tem a segunda maior fatia de recursos para fazer a campanha eleitoral ao governo. Já Fabiano Contarato, que busca a reeleição no Senado Federal, obteve R$ 1 milhão da legenda.
Segundo o presidente do partido no Espírito Santo, deputado estadual João Coser, os critérios para distribuição dos recursos de campanha são decididos pela executiva nacional do PT.
Para ele, por exemplo, que tenta uma vaga na Câmara Federal, a legenda destinou R$ 759,5 mil, enquanto candidaturas femininas, como a de Jack Rocha e Iriny Lopes, chegam a quase R$ 3 milhões, cada uma.
No país, o PT é o segundo partido com maior volume de recursos no fundo eleitoral para serem distribuídos. A legenda fica atrás apenas do PL.
Na sequência, o governador Ricardo Ferraço (MDB) foi o candidato que mais recursos recebeu para sua campanha de reeleição. Foram R$ 4 milhões até o momento. O partido destinou quase o mesmo volume a Rose de Freitas, que recebeu R$ 3,85 milhões para a disputa por uma vaga no Senado Federal.
O MDB não tem chapa para a Câmara Federal. Os candidatos do partido a uma cadeira na Assembleia Legislativa não receberam dinheiro da legenda. O volume direcionado pelo diretório nacional foi todo distribuído para as candidaturas majoritárias.
Quanto aos novos repasses, o secretário-geral do partido no Espírito Santo, Chico Donato, afirmou que há uma expectativa de receber mais recursos da nacional, alcançando o limite de R$ 7,1 milhões estabelecido pela Justiça Eleitoral no primeiro turno para o governo.
O partido Missão destinou R$ 150,3 mil para as candidaturas no Espírito Santo. Dessa cifra, R$ 100 mil foram direcionados a Breno Barcelos, que está na disputa para ocupar o Palácio Anchieta. O restante foi encaminhado para as proporcionais — deputados estaduais e federais. As candidaturas femininas tiveram um valor fixo de quase R$ 7 mil e as masculinas, de R$ 3,6 mil.
"Os repasses são efetuados diretamente nas contas bancárias de campanha abertas e homologadas junto à Justiça Eleitoral, ocorrendo à medida que a documentação de cada candidato é regularizada", pontua a assessoria do Missão.
Sem representação no Congresso Nacional, a UP não tem volume de recursos expressivo para as campanhas eleitorais. Rafael Demuner recebeu do partido somente R$ 1.000, o valor mais baixo entre os candidatos ao governo.
Para o Senado Federal, há também concorrentes em chapas sem candidato próprio ao governo. Nesse grupo, Maguinha Malta (PL) é a que tem mais recursos: R$ 3,8 milhões.
"A distribuição segue a legislação eleitoral e os critérios são definidos pela direção nacional do partido. Desse valor, aproximadamente 16,5% será para candidatura majoritária, e o restante será destinado às candidaturas proporcionais. Os repasses são realizados conforme o cronograma estabelecido pelo partido e podem ser ajustados de acordo com novas deliberações e a disponibilidade de recursos", sustenta a assessoria do PL.
O ex-governador Renato Casagrande (PSB), que está concorrendo ao Senado, recebeu R$ 2,5 milhões do partido. A legenda não se manifestou sobre os critérios usados para a distribuição de recursos.
De volta à disputa eleitoral no Espírito Santo, o ex-prefeito Rodney Miranda (PRTB) obteve R$ 515 mil. Presidente do partido no Estado, ele também não comentou como o dinheiro é distribuído.
O Professor Fabian (PSol) conseguiu R$ 80 mil para a sua campanha de senador. O presidente do partido no Estado, Welington Barros, diz que o valor do recurso do fundo eleitoral foi definido pela direção nacional, cuja prioridade está voltada às candidaturas que buscam a reeleição para Câmara Federal para superar a cláusula de desempenho.
Como o PSol não tem mandato de deputado federal pelo Espírito Santo, o foco da legenda no Estado é manter Camila Valadão na Assembleia Legislativa — ela recebeu R$ 1,19 milhão do partido para a campanha.
Os demais candidatos ao Senado Federal — Callegari (DC), Leonardo Monjardim (Novo), Marcos do Val (Avante), Sérgio Meneguelli (PSD) — não receberam dinheiro de seus partidos.
Os dados estão registrados na Justiça Eleitoral após a primeira etapa de prestação de contas, cujo prazo se encerrou em 13 de setembro.
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