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Troca

Diretora do departamento de HIV é exonerada, e ONGs reagem

A medida ocorre uma semana após o novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmar em entrevista à Folha de S.Paulo que o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, "mas sem ofender as famílias"

Publicado em 11 de Janeiro de 2019 às 13:46

Publicado em 

11 jan 2019 às 13:46
Ministério da Saúde Crédito: Aílton de Freitas / Agência O Globo
O Ministério da Saúde irá trocar o comando do departamento de HIV/Aids e hepatites virais, hoje responsável pela política de prevenção e controle de infecções sexualmente transmissíveis no país.
A atual diretora, a médica sanitarista Adele Benzaken, foi avisada da exoneração nesta quinta-feira (10), em conversa com o novo secretário de vigilância, Wanderson Kleber de Oliveira.
A medida ocorre uma semana após o novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmar em entrevista à Folha de S.Paulo que o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, "mas sem ofender as famílias".
A troca também ocorre poucos dias após o governo retirar do ar uma cartilha voltada à saúde de homens transexuais, alegando a necessidade de correções no documento.
A mudança gerou reação de entidades que representam especialistas e portadores de HIV, que passaram a enviar cartas ao novo ministro pedindo que a atual diretora seja mantida no cargo.
Em ofício enviado nesta quinta ao ministério, o Fórum de ONG/Aids de São Paulo afirma que Benzaken ajudou o país a retomar lugar de destaque na resposta à epidemia e trabalhou para expansão de outros métodos preventivos ao HIV, caso da PEP (profilaxia pós-exposição) e da Prep (Profilaxia pré-exposição) no país, "sem ofender as famílias".
"Mais recentemente, também, a campanha governamental de conscientização da importância da prevenção do HIV ajudou a difundir -sem ofender às famílias- as conclusões dos resultados de estudos científicos sobre o 'indetectável = intransmissível', que incentiva a adesão ao tratamento antirretroviral pelas pessoas vivendo com HIV", informa o ofício.
Infectologistas e representantes de outras entidades, como a Anaids, também enviaram cartas ao Ministério da Saúde nesta semana.
Questionado, o ministério informa que Adele não será mais a diretora, "mas foi convidada para continuar a contribuir com a política". A previsão é que a troca de comando seja publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias.
Em seu lugar, ficará o atual diretor-substituto do departamento, o médico epidemiologista Gerson Pereira.

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