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Interrogatório

Major do ES nega ao STF ter participado de trama golpista

Angelo Denicoli foi ouvido em interrogatório pela 1ª Turma do Supremo; na denúncia da PGR, ele é acusado de integrar grupo responsável por propagar desinformação contra o sistema eleitoral brasileiro
Tiago Alencar

Publicado em 

24 jul 2025 às 17:11

Publicado em 24 de Julho de 2025 às 20:11

Angelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército, alvo de operação da Polícia Federal no Espírito Santo por tentativa de golpe de Estado
Angelo Denicoli negou ter feito análises e apresentado relatórios questionando a segurança das urnas eletrônicas Crédito: Redes Sociais/Reprodução
Réu na Ação Penal 2694, que trata sobre tentativa de golpe de Estado e disseminação de informações falsas contra o processo eleitoral brasileiro, o major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli, morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, foi ouvido em interrogatório realizado pela 1ª  Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (24).
Na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Denicoli é apontado, nos autos, como integrante do  chamado núcleo 4, grupo responsável por propagar, de maneira orquestrada, desinformação contra o sistema eleitoral brasileiro. Ele foi denunciado, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 32 pessoas, em fevereiro deste ano, por tentativa de golpe de Estado. Durante sua fala no interrogatório, porém, o major negou ter participado da trama golpista, denunciada pela PGR, para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022.
Acompanhado por seu advogado no interrogatório realizado de maneira virtual, o ex-major respondeu, primeiro, às perguntas qualificatórias (onde reside e profissão) e, depois, às direcionadas aos fatos atribuídos a ele. Perguntado se reconhecia sua participação nos crimes de que é acusado, Denicoli respondeu que não.
Ainda durante seu depoimento, o militar afirmou que desde 2013, quando entrou para a reserva do Exército, não mantinha contato com agentes públicos ou militares de Brasília. Denicoli também assegurou, no interrogatório, que não possui capacidade técnica, segundo ele, para emitir parecer sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro.
Major do ES nega ao STF ter participado de trama golpista
Ele também negou ter feito análises e apresentado relatórios questionando a efetividade das urnas eletrônicas. O major da reserva  disse conhecer Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mas ressaltou que não possuía relação de proximidade com ele, segundo consta da denúncia da PGR.
“Queria aproveitar para dizer que sou um major que saiu do Exército em 2013. Já são 12 anos. Da minha turma, hoje, alguns  já são generais. Então, nem sequer conheço os militares envolvidos (na trama golpista denunciada pela PGR e que são réus na ação penal). Não são meus contemporâneos. Em 2013, migrei para a iniciativa privada. Quero deixar claro que não sou estatístico, que não sou matemático, como foi dito. Não tenho qualificação alguma para fazer auditoria em qualquer sistema, nunca falei de fraude. Desde 2013 moro em uma cidade pequena do Espírito Santo, chamada Colatina, bem longe de Brasília”, disse o major da reserva no interrogatório.
Apesar de ter respondido às perguntas da magistrada que conduziu as oitivas dos integrantes do Núcleo 4, na tarde desta quinta-feira, Denicoli, orientado por sua defesa, se absteve de responder aos questionamentos da PGR e dos outros advogados presentes ao interrogatório.
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