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Investigação

Operação Rubi: entenda as ações do Ministério Público no Litoral Sul do ES

Apuração do Ministério Público do Espírito Santo aponta pagamento de propinas em troca de direcionamento e superfaturamento de contratos

Publicado em 21 de Outubro de 2019 às 16:32

Vinícius Valfré

Publicado em 

21 out 2019 às 16:32
Operação Rubi II, deflagrada pelo Ministério Público, em 17 de outubro de 2019 Crédito: MPES/Divulgação
Operação Rubi, do Ministério Público Estadual (MPES), cuja desdobramento foi deflagrado na semana passada, investiga suspeitas de superfaturamento e direcionamento de contratos em troca de pagamento de propinas a agentes públicos. As duas primeiras fases, uma em maio e outra agora em outubro, foram focadas no Litoral Sul do Estado, com prisão e afastamento de autoridades políticas nas cidades de Presidente Kennedy e Piúma
No radar dos investigadores também estão empresas de transporte público, mas o foco até agora foi a prestação de serviços de limpeza nos municípios. Há indícios de irregularidades nos serviços de recolhimento de lixo e varrição de ruas nas cidades.
Quando a primeira fase foi deflagrada, o MPES informou a existência de suspeitas em contratos de Marataízes, Piúma, Jaguaré e Presidente Kennedy. Uma característica comum das quatro cidades é a verba proveniente de royalties e participação especiais. Todas estão entre as 13 que mais receberam recursos dessa natureza em 2018, segundo a revista Finanças dos Municípios Capixabas.
Contudo, as ações mais ostensivas da operação, até agora, com cumprimento de mandados e oferecimento de denúncia criminal, ficaram restritas a Kennedy e Piúma. Nas duas cidades, os chefes das respectivas administrações municipais foram afastados.
Amanda Quinta, de Presidente Kennedy, chegou a ficar presa por quatro meses e permanece afastada. Já o prefeito de Piúma, José Ricardo da Costa, o professor Ricardo, não foi preso, mas está afastado da função por pelo menos 90 dias. Secretários das duas cidades também sofrem afastamentos. 
Na primeira fase da operação, em maio, o prefeito de Marataízes, Robertino Batista,o Tininho (PDT), foi alvo de mandado de busca e apreensão e acabou preso. A prisão, contudo, não tinha relação com a operação. Ocorreu porque uma arma ilegal foi encontrada na casa. Ele pagou fiança e foi solto no mesmo dia. 

DELAÇÃO PREMIADA

A segunda fase da Operação Rubi, na semana passada, pode ter sido corroborada por informações levadas aos autos por um dos sócios de uma das empresas investigadas, a Limpeza Urbana. Marcelo Marcondes Soares celebrou um acordo de colaboração premiada.
Ele havia sido preso pouco depois de chegar à casa da então prefeita Amanda Quinta com R$ 33 mil dentro de uma mochila. Segundo o MPES, era dinheiro de propina. Como A Gazeta publicou, ele sacou, ao todo, R$ 90 mil antes de ir à residência.
O companheiro dela e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Kennedy, José Augusto de Paiva, estava na casa e também foi preso. Ela foi beneficiada por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Ele, o mentor político da prefeita, segue preso.
Em Piúma, além de contrato com a Limpeza Urbana, a prefeitura contratou outra empresa que entrou no radar dos investigadores, a Fortaleza Ambiental. A firma tem sede em Anchieta, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão na segunda fase da Rubi, e passou a atuar em Piúma em endereço ligado ao homem apontado por fazer a interlocução entre a Limpeza Urbana e a prefeitura da cidade.

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