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Citou gabinete presidencial

PF pede ao STF para investigar Lulinha sob suspeita de tráfico de influência

Na mira da Polícia Federal, está a autorização da comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde

Publicado em 30 de Julho de 2026 às 18:08

Agência FolhaPress

Publicado em 

30 jul 2026 às 18:08
Lulinha, Fábio Luis Lula da Silva, ( filho do presidente Lula
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pode ser alvo de inquérito Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo
 A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

A solicitação, feita na última sexta-feira (24), foi distribuída na quarta-feira (29) ao ministro André Mendonça, que vai decidir se abre o procedimento.

De acordo com informações obtidas pela Folha de S.Paulo, os investigadores querem apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, em programas ligados ao Ministério da Saúde.

Lulinha tem atuação no ramo em parceria com a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O pedido de abertura de inquérito também cita contatos entre os alvos e servidores, inclusive do gabinete de Lula. A suspeita é que o tráfico de influência tenha sido exercido junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência, de acordo com informações da PF.

Segundo os investigadores, há suspeita de que Lulinha tenha atuado com Roberta no mercado de canabidiol a favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.

Advogados de Lulinha, Luchsinger e Antunes foram procurados na tarde desta quinta-feira (30) para comentar o pedido da PF, mas não responderam até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto também foi procurado, mas ainda não se manifestou.

Nos últimos meses, os citados vêm negando irregularidades em sua atuação no ramo da cannabis medicinal.

Os advogados de Lulinha afirmaram anteriormente que o filho do presidente não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores "e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas" no projeto comercial da World Cannabis.

Em março, a defesa de Lulinha admitiu que ele teve despesas pagas pelo Careca do INSS em uma viagem para Portugal em 2024.

Roberta Luchsinger disse que prestou uma consultoria para o Careca do INSS na área de canabidiol e que apresentou o lobista a Lulinha em um "contexto social". Disse ainda que seu contrato não previa a comercialização de nenhuma substância.

O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS no ano passado, ele disse ser um empresário cuja prosperidade é "fruto de trabalho honesto e dedicado" e que não possui "patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita".

O documento enviado pela PF ao Supremo afirma que teriam sido identificados pagamentos do lobista para a RL Consultoria, de Roberta Luchsinger. A investigação tentará esclarecer se houve o pagamento para agentes públicos.

Os investigadores pedem à corte a autorização do compartilhamento de provas colhidas na Operação Sem Desconto, que mira uma quadrilha responsável por desvios no INSS e que tem Careca como um dos alvos.

O pedido de investigação foi enviado ao STF na última sexta, durante o recesso do Judiciário. A PF remeteu o caso à presidência do Supremo por considerar que os fatos não são relacionados à Operação Sem Desconto, que envolve fraudes no INSS e que está sob relatoria de Mendonça.

O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que substituía Edson Fachin na presidência da corte em regime de plantão.

No mesmo dia, o ministro pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que afirmou que as quebras de sigilo apresentadas pelos investigadores "revelaram a prática de crime" sem relação com a Operação Sem Desconto, opinando pelo sorteio de um novo relator para o caso. O escolhido foi André Mendonça.

No fim do ano passado, Lula chegou a afirmar que o filho deveria ser investigado se houvesse envolvimento dele em irregularidades.

"Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad, vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade, vai ser investigado", afirmou.

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