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Operação Freeloader

Quem é a ex-deputada do ES investigada pela PF por suspeita de fraude

Lúcia Dornellas é dona de empresa de marketing político investigada por desvio de dinheiro na campanha eleitoral de 2022

Publicado em 08 de Agosto de 2024 às 18:54

Vinicius Zagoto

Publicado em 

08 ago 2024 às 18:54
Lúcia Dornellas
Ex-deputada estadual Lúcia Dornellas criou empresa de marketing político que é alvo de operação da Polícia Federal Crédito: Reprodução redes sociais
A ex-deputada estadual Lúcia Dornellas está entre os alvos da Operação Freeloader, da Polícia Federal, deflagrada na manhã desta quinta-feira (8). As investigações apuram possível desvio de dinheiro, que deveria ter sido usado na campanha eleitoral de 2022 por parte do vice-prefeito da Serra, Thiago Carreiro (União Brasil), na época candidato a deputado federal. Os dois negam as irregularidades (veja no final da matéria).
Dornellas foi eleita deputada estadual em 2010, quando teve 21.873 votos. Em 2012, se candidatou a prefeita de Cariacica, terminando em terceiro lugar, com 41.530 votos. Não se elegendo, ela voltou ao mandato na Assembleia Legislativa. Tentou reeleição em 2014 para o cargo de parlamentar, mas não conseguiu. Ao longo da carreira, atuou em diversos órgãos públicos no Estado. Foi filiada ao PT até 2020, quando deixou o partido após divergências. Em 2021, ela fundou a LD Consultoria em Gestão.

Suspeitas

A colunista de A Gazeta Letícia Gonçalves teve acesso à decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão contra a ex-deputada. O documento indica que Thiago Carreiro teria contratado primeiro uma empresa e, depois, a LD Consultoria em Gestão, fundada por Lúcia, para realização de atividades de marketing eleitoral. Entretanto, a investigação constatou que apenas a primeira contratada teria executado os serviços.
Para a primeira agência de marketing político, foi celebrado um contrato no valor de R$ 216.500,00, mas antes do vencimento da última parcela houve uma rescisão entre as partes. Ficou estabelecido que o pagamento seria proporcional aos serviços prestados até então. As investigações constataram, no entanto, que o valor restante seria pago "por fora", ou seja, paralelo à contabilidade eleitoral e omitido da prestação de contas.
Conforme explicou o delegado da Polícia Federal Fernando Amorim, as empresas teriam aceitado receber os valores por fora e o político acreditava que a parte contratada não procuraria a Justiça por também estar em desacordo com a legislação. Ou seja, se o caso fosse denunciado, a companhia também poderia ser alvo de investigação. 
Ocorre que a agência ingressou em juízo alegando uma dívida assinada por Carreiro de valor equivalente ao desconto na rescisão antecipada do contrato firmado com o político, o que chamou a atenção dos investigadores sobre possíveis fraudes na administração do Fundo Eleitoral.
Além disso, durante a apuração do caso se constatou que o político teria contratado prestadores de serviço para a campanha  mediante pagamento de valores superfaturados, com gastos que chegam a ultrapassar em 1200% os praticados pelo mercado, o que indicaria, segundo a Polícia Federal, lavagem de capitais.
A partir dessas informações, os investigadores chegaram a Lúcia. Foi identificado que a empresa também havia sido contratada por Thiago, sob o custo de R$ 225.000,00. O valor pode ser visto no portal DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que fornece dados de campanha dos candidatos a cargos eletivos de todo o Brasil. 
Ficou demonstrado que a empresa de Dornellas teria recebido a quantia sem executar qualquer serviço, além de ter realizado diversas transferências bancárias para pessoas físicas e jurídicas ligadas à campanha, numa demonstração de que estava sendo utilizada para pulverizar recursos eleitorais não declarados.
"Ele (vice-prefeito) contratou uma empresa. A própria assessoria de campanha não sabe o que essa empresa fez, ou seja, foi um acerto entre essa empresa e esse candidato. Foi pago o valor altíssimo de R$ 225 mil. Esse dinheiro, provavelmente, voltou para esse candidato ou para outra pessoa e a gente tem que descobrir quem foi o destinatário final", afirmou o delegado. 
"É uma empresa de marketing político que a gente acredita que criou um mecanismo para facilitar o caixa dois eleitoral e apropriação de verba eleitoral", prosseguiu.
DivulgaCand mostra valor que Thiago Carreiro pagou para a ex-deputada Lúcia Dornellas
DivulgaCand mostra valor que Thiago Carreiro pagou para a ex-deputada Lúcia Dornellas Crédito: TSE

O que diz Lúcia Dornellas

Em nota, a assessoria de Dornellas disse que a empresa de marketing criada por ela prestou serviço para a referida campanha eleitoral, com emissão de nota fiscal e todas as formalidades necessárias - à luz da Justiça Eleitoral e da Receita Federal. "A profissional possui uma longa trajetória, como deputada, presidente de autarquia, e empresária do ramo de comunicação - colhendo, em todos os esses anos, respeito, lisura e bom trato com a coisa pública. Lúcia segue confiante na Justiça e sua assessoria jurídica esclarecerá os fatos em momento oportuno", declarou.

O que diz Thiago Carreiro

Sem nenhuma surpresa, recebi hoje uma visita da Polícia Federal para apurar uma denúncia feita durante as eleições de 2022. A perseguição política que venho sofrendo desde quando me posicionei contra projetos pessoais de poder na Serra aumenta em mais um nível e a uma semana das eleições.

O que diz a Prefeitura da Serra

A prefeitura da Serra informa que a operação da Polícia Federal deflagrada na manhã desta quinta-feira (8), não tem qualquer relação com os atos da administração municipal e que foi direcionada a pessoa do vice-prefeito, Thiago Carreiro. O município se coloca à disposição das autoridades para observar as determinações legais e contribuir com qualquer investigação que dependa do poder público.

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