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Movimento nacional

Vitória tem ato na Ufes para leitura de carta pela democracia

Evento aconteceu em frente ao Teatro Universitário e também foi realizado em várias cidades do país nesta quinta-feira (11) em defesa do Estado Democrático de Direito. Veja a carta na íntegra

Publicado em 11 de Agosto de 2022 às 17:06

Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 ago 2022 às 17:06
Ato em defesa da democracia na Ufes, em Vitória, nesta quinta-feira (11)
Ato em defesa da democracia na Ufes, em Vitória, nesta quinta-feira (11) Crédito: Fernando Madeira
Mobilização que começou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e ganhou o país, a carta em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro alcançou quase um milhão de assinaturas. Nesta quinta-feira (11), foi realizada a leitura do documento subscrito por entidades, artistas, banqueiros, jornalistas, entre outros profissionais das mais diversas áreas para assegurar a manutenção do Estado Democrático no Brasil.
O movimento ocorreu em várias cidades pelo país e, no Estado, é marcado por um ato que aconteceu na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), na escadaria do Teatro Universitário. 
Entre o grupo de entidades que articularam o ato na Ufes, com a leitura da “Carta às Brasileiras e Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”, estão a Transparência Capixaba, a Convergência Democrática, o SindiJornalistas, a Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), o Sindicato dos Técnicos da Ufes (Sintufes) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufes.
Autoridades do Espírito Santo inclusive estão entre os signatários do documento. Como destacou a colunista de Política Letícia Gonçalves, de A Gazeta, assinam a carta o ex-governador Paulo Hartung; a procuradora-geral de Justiça do MPES, Luciana Andrade; o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Fábio Clem; o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC-ES), Luis Henrique Anastácio; o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk; o defensor público-geral, Gilmar Batista; entre outros procuradores, promotores e advogados.
Alvo de reações de Jair Bolsonaro (PL), a carta faz parte de uma iniciativa suprapartidária e critica, sem mencionar o nome do presidente, os ataques contra o processo eleitoral praticados por ele e por grupos bolsonaristas. Entre os presidenciáveis, o documento foi assinado por Ciro Gomes (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet (MDB).
O movimento, a menos de dois meses do primeiro turno das eleições, é considerado um marco simbólico na reação da sociedade civil à escalada de ameaça às instituições promovida por Bolsonaro, que insufla apoiadores para saírem às ruas no 7 de Setembro, data do Bicentenário da Independência.
Segmentos que estavam inertes perante as intimidações por alinhamento ao bolsonarismo ou receio de represálias, sobretudo no ambiente empresarial e financeiro, decidiram aderir às mobilizações.
A "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito" remete à histórica "Carta aos Brasileiros", apresentada em ato público em agosto de 1977, na mesma Faculdade de Direito da USP, que marcou a luta contra a ditadura militar (1964-1985) e por redemocratização.

LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DA CARTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Carta às Brasileiras e Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito

Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos Cursos Jurídicos no País, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

 A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

 Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para o País sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular. 

 A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição "Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". 

 Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral. 

 Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em um País de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude. 

 Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando a convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos. 

 Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições. 

 Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional. 

 Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito. Aqui, também não terão. 

 Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar de lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática. 

 Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições. 

 No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

 Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona: Estado Democrático de Direito Sempre!

Com informações de Folhapress

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