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Segurança Viária

Acidentes caem 14,9% na BR 101 de janeiro a agosto, aponta Ecovias

Balanço compara dados com o mesmo período de 2025; PRF avalia possível influência da municipalização do trecho de Carapina

Publicado em 19 de Setembro de 2026 às 20:28

Camila Leão

Publicado em 

19 set 2026 às 20:28
Do total de acidentes registrados na BR 101, 53% foram em trechos de pista simples, reforçando o alerta nos locais que ainda aguardam duplicação Edson Chagas | A Gazeta
O número de acidentes registrados no trecho da BR 101 administrado pela Ecovias Capixaba — que abrange 24 municípios do Espírito Santo e o trevo de acesso a Mucuri, no Sul da Bahia — caiu 14,9% entre janeiro e agosto deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Ecovias Capixaba. A redução, no entanto, é analisada com cautela pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pois o movimentado trecho urbano de Carapina, na Serra, foi municipalizado durante o período analisado e passou à responsabilidade da Prefeitura da Serra.

De acordo com a concessionária, foram contabilizados 2.296 acidentes nos oito primeiros meses de 2026, contra 2.697 no ano anterior. Do total registrado neste ano, 53% ocorreram em trechos de pista simples e 47% em trechos duplicados.

O número de feridos recuou de 1.569 para 1.305, queda de 16,9%, enquanto o total de mortes passou de 82 para 72, redução de 12,2%. Das 72 pessoas que morreram, 43% eram motociclistas ou ocupantes de motocicletas, 34% estavam em automóveis ou caminhões e 23% eram pedestres ou ciclistas. Os homens representaram 85% das vítimas fatais.

A colisão traseira continuou sendo o tipo de acidente mais frequente na rodovia, com 540 registros até agosto. No mesmo período do ano passado, foram 666 ocorrências, o que representa uma redução de 18,9%.

Também houve queda nas colisões laterais, de 445 para 361; nas transversais, de 298 para 245; nas saídas de pista, de 234 para 194; e nos atropelamentos de pedestres, de 118 para 84. Entre os dez tipos de acidentes mais frequentes, somente os incêndios em veículos aumentaram, passando de 36 para 52 registros.

No período, a Ecovias registrou 35.178 ocorrências e realizou 49.555 atendimentos ao longo da BR 101 no Espírito Santo. Os números representam quedas de 19% e 20%, respectivamente, em relação aos oito primeiros meses de 2025.

Os atendimentos médicos diminuíram 6%, passando de 3.871 para 3.638. Já os serviços mecânicos aumentaram 17,3%, de 14.731 para 17.276.
Municipalização pode ter influenciado redução, diz PRF

A PRF ponderou que a redução dos acidentes pode estar relacionada à mudança no trecho de Carapina, na Serra, que deixou de ficar sob a responsabilidade fiscalizatória da instituição.


A mudança ocorreu em 23 de fevereiro, quando o antigo trecho da BR 101 entre os quilômetros 247,8 e 278,3 de Carapina a Belvedere, passou a ser administrado pela Prefeitura da Serra e chamado de Avenida Mestre Álvaro. Com a transferência, o Contorno do Mestre Álvaro passou a integrar o trecho concedido da rodovia.


Na prática, a comparação apresentada pela Ecovias abrange configurações diferentes da BR 101. Em 2025, a passagem urbana pelas regiões de Laranjeiras e Carapina ainda fazia parte da rodovia federal durante todo o período analisado. Em 2026, as ocorrências no local deixaram de integrar os dados após a municipalização, enquanto o contorno passou a ser considerado.


A PRF informou que ainda monitora e avalia os dados apresentados e não realizou uma divulgação oficial desses indicadores. A Ecovias explicou que compara os registros totais de cada ano, sem ajustar o levantamento à entrada ou saída de trechos da concessão. A empresa ponderou, porém, que essa mudança teria mais peso em uma análise específica da Serra do que nos dados gerais da rodovia.

Av. Mestre Álvaro, na Serra, teve queda de 66,67% nos acidentes de fevereiro até agosto Internauta
Mortes também caíram na Av. Mestre Álvaro

Apesar da mudança na área considerada pela Ecovias, a Prefeitura da Serra também identificou redução nas mortes no trecho municipalizado. Entre 19 de fevereiro e 31 de agosto deste ano, quatro pessoas morreram na Avenida Mestre Álvaro. No mesmo período de 2025, antes da municipalização, foram 12 óbitos — uma queda de 66,67%.


Desde que assumiu a administração da via até o fim de agosto, o município contabilizou 283 acidentes, com 77 pessoas feridas. A prefeitura não informou, porém, quantos acidentes e feridos foram registrados no mesmo período de 2025, o que impede a comparação desses dois indicadores.


Segundo a administração municipal, a redução da letalidade coincide com o reforço da fiscalização pelo Departamento de Operações de Trânsito (DOT), melhorias na iluminação, intervenções nos retornos e a integração das ações de fiscalização, engenharia e educação para o trânsito.


*Este conteúdo foi produzido por Camila Leão, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Erik Oakes.

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