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Artes Marciais

Anti-tradicionalista e inovadora, academia focada em jiu-jítsu sem kimono ganha espaço no ES

Villela Fight Club é o primeiro centro de treinamento específico para a modalidade nogi no estado

Publicado em 23 de Julho de 2026 às 14:22

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 jul 2026 às 14:22
Pedro Villela, fundador da Villela Fight Club
Pedro Villela, líder da Villela Fight Club - Divulgação / Villela Fight Club

Com a expansão dos esportes de combate ao redor do mundo, impulsionada por eventos de artes marciais mistas (MMA) como o UFC e o PRIDE, o jiu-jítsu, famoso por sua efetividade nas lutas, cresceu em relevância e vem passando por transformações significativas, que começam a chegar ao Espírito Santo. O estado ganhou, em maio, sua primeira academia focada apenas em jiu-jítsu sem kimono: a Villela Fight Club, idealizada pelo carioca Pedro Villela.


A prática do jiu-jítsu tradicional demanda alguns itens básicos: kimono e faixa são indispensáveis, além de atitudes ligadas à hierarquia e respeito ao tatame. Fundada em maio e com sede em Goiabeiras, a Villela Fight Club representa no ES as mudanças globais que furam o tradicionalismo na modalidade. O centro de treinamento, que oferece também treinos de boxe, vem recebendo cada vez mais alunos e suprindo a busca pelo nogi, como é chamado o jiu-jítsu sem kimono.


Existe bastante demanda pelo treino exclusivamente sem kimono no estado, e isso não me surpreendeu, o que me chocou foi a velocidade com que essas pessoas foram chegando. Minha motivação foi oferecer um ambiente totalmente dedicado ao nogi, sem que ele fosse tratado como um complemento do jiu-jítsu tradicional. Afinal, o jiu-jítsu sem kimono desenvolveu características próprias, com uma dinâmica diferente, uma maior integração com o wrestling e nenhuma dependência de pegadas de tecido. Isso claramente exige um treinamento pensado especificamente para essa realidade", afirma Pedro.
Kaynan Duarte no ADCC
Luta do brasileiro Kaynan Duarte sem kimono - Divulgação

A diferença entre as categorias não se dá apenas pela falta do “pano”, mas pelas consequências do fato. Maior dinamismo, velocidade e necessidade de ajustes em posições e pegadas são características do jiu-jítsu sem kimono. A prática vem crescendo ao redor do mundo e conquistando novos fãs. O UFC, principal organização de MMA do mundo, possui uma divisão focada em jiu-jitsu que concentra somente lutas de nogi. 


Outro fator é a formação de super-estrelas que deixaram o quimono de lado para se adaptarem às inovações. O norte-americano Gordon Ryan, heptacampeão do ADCC, e o australiano Craig Jones, fundador do evento CJI, são expoentes majoritários dessa tese. Além dos dois, o lutador de jiu-jítsu mais seguido do mundo, Mikey Musumeci também adentrou o mundo do nogi, se distanciando cada vez mais da modalidade “com pano”.

O crescimento do nogi não depende de substituir o jiu-jítsu tradicional. Ele é mais acessível, em matéria de equipamento é mais barato, e é mais consumido por não praticantes da modalidade, através da audiência comum do MMA, que não assiste os eventos de kimono. Não acho que o nogi seja o futuro do grappling, mas o presente. A modalidade vive um momento de expansão mundial inegável, os maiores eventos de luta agarrada são de nogi, assim como os que pagam mais. O jiu-jítsu sem kimono também representa a profissionalização da luta agarrada", adiciona o criador da Villela Fight Club.
Gordon Ryan e Jon Jones, do UFC
Craig Jones e Jon Jones após treino sem kimono - Reprodução / Instagram

Apesar de incomodar alguns setores do mundo das artes marciais, o rompimento com o tradicionalismo não é tabu para o líder da academia capixaba. Além de abandonar o kimono, Pedro dobrou a aposta, e opta por um modelo de treinamento diferente.

 Acho que houve sim um rompimento com o tradicionalismo, muitas coisas são passadas apenas porque sempre foram assim. O treinamento também deve evoluir, é uma área de conhecimento e não deve ficar estagnado em nome da tradição. Lá fora a gente vê novos métodos sendo incorporados há mais de uma década. Métodos mais científicos, e não apenas culturais.  Então houve sim um rompimento, mas não apenas em deixar de usar o kimono, mas na forma com a qual eu treino meus alunos", explica Pedro.

A estrutura dos treinos na Villela Fight Club segue a metodologia “Ecological Dynamics”, caracterizada pela ciência de aprendizagem motora e ciência de esportes. Nas aulas, ao invés da utilização das tradicionais posições e drills, são criadas situações de combate com objetivos e restrições específicas, nas quais os alunos precisam encontrar situações por conta própria. Segundo o faixa-preta, isso ajuda o aluno a entender que a técnica não é algo que se copia, mas uma solução que emerge da interação com o adversário.

O papel do treino é desenvolver percepção, adaptação, timing e tomada de decisão, habilidades que realmente determinam desempenho durante uma luta, e não decorar movimentos que você nunca vai replicar numa situação de combate real. Esse método já é utilizado em diversos esportes de alto rendimento, como no futebol americano e no basquete, onde você tem que aprender a resolver problemas reais conforme eles aparecem, ao invés de memorizar respostas em situações idealizadas", complementa.
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