Depois de vencer cinco Copas do Mundo, revelar tanto talentos e moldar a forma como o brasileiro vive, é normal que o Brasil tenha recebido o apelido de País do Futebol. Porém, durante um hiato de 24 anos sem conquistar um mundial no futebol, modalidades consideradas periféricas passam a ganhar força e novos heróis nascem para dar orgulho à nação. Exemplo disso é o medalhista de prata em Paris-2024 e ouro mundial na marcha atlética, Caio Bonfim, que enxerga essa revolução e a sua própria figura como um baluarte pela valorização do esporte olímpico brasileiro.
Na noite de gala do esporte brasileiro, Caio foi mais uma vez um dos protagonista. Ele foi eleito pelo segunda ano consecutivo o Atleta do Ano no Prêmio Brasil Olímpico, cerimônia realizada na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (11). Ganhador em 2024, o atleta voltou a ser contemplado no evento graças às medalhas de ouro, nos 20km, e prata, nos 35km, no Campeonato Mundial de Atletismo, realizado em Tóquio, no Japão.
"O esporte no Brasil é complexo. Somos campeões do mundo cinco vezes no futebol, então é óbvio que ele teria essa tradição, porque ele já conquistou esse espaço. E os outros esportes tiveram que vir quebrando esse espaço, né? Tivemos alguns feitos ali pontuais, com tênis, depois vem o vôlei, o basquete... Então, eu acho que todo esporte olímpico tem esse caminho para percorrer. E você poder, no seu esporte, na sua modalidade, na marcha atlética, conseguir ter essa representatividade, poder estar ali popularizando o teu esporte, é muito bacana. Então, eu fico muito feliz de poder fazer parte disso, e acho que toda essa construção mostra que estamos em outros tempos", reconheceu Caio.
O marchador ainda ressaltou a importância do crescimento das redes sociais e do engajamento da torcida através da internet, ampliando a representatividade e reconhecimento não apenas dele, mas de tantos atletas olímpicos e suas respectivas modalidades. "E as mídias sociais têm dado mais oportunidade para os brasileiros nos conhecerem, e o povo tem abraçado isso. Poder assistir todos os brasileiros, em todas as provas, né? E aí torce, vibra, comenta, vai lá, segue o perfil do atleta... acho que isso tudo tem feito crescer o esporte olímpico brasileiro", completou Caio Bonfim.
Ano especial
Além das medalhas no Mundial, no cenário nacional o Caio também marchou rumo ao topo, sagrando-se campeão da Copa Brasil, do Troféu Brasil, e assumindo a liderança do ranking mundial nos 20 km. O atleta também ressaltou o ano mágico que viveu, justamente um após a sua grande conquista olímpica, e que o objetivo segue evoluindo cada vez mais e trazendo mais medalhas para o país.
"A gente trabalha muito anualmente, e aí quando fazemos um ano espetacular, igual o de Paris, vamos tentar repetir e consertar alguns detalhes, mas isso não é certeza, né? O esporte não é matemática exata. Então, chegar ali no Japão com a medalha de prata, nos 35km, que tinha sido o melhor resultado da minha carreira em mundiais, e depois conseguimos nos recuperar para conseguir também esse ouro... então foi um ano muito, muito legal, muito especial mesmo", confessou.
Para completar a noite com chave de ouro, a técnica e mãe do marchador, Gianetti Bonfim, também foi homenageada no evento, escolhida como a Treinadora do Ano. Ela, uma das principais referências do atletismo brasileiro, tendo começado na marcha atlética com 29 anos e competindo em alto rendimento até os 40 anos, agora se dedica a treinar o filho, que não escondeu a emoção ao ver sua mentora subindo ao palco e sendo laureada.
"Quando você consegue trazer esses resultados, essas medalhas, sem tomar falta, você viu que o trabalho foi muito bem feito, então acho que é muito justo ela ser coroada. E ser a melhor treinador do país é muito fantástico, muito representativo. Então, eu tenho muito orgulho dela. E quando ela estava lá em cima eu estava mais emocionado e mais nervoso no discurso dela do que quando foi eu", completou Caio.