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futebol

Economista analisa riscos e avalia Botafogo S/A: 'Não tem outra alternativa'

Ao LANCE!, César Grafietti não enxerga modelo de clube-empresa necessariamente como a salvação do futebol brasileiro, mas admite que Alvinegro não possui outro caminho...

Publicado em 15 de Julho de 2020 às 09:00

LanceNet

Publicado em 

15 jul 2020 às 09:00
Crédito: Vitor Silva/Botafogo
Gestões inteligentes e marcadas por boas relações de custo-benefício são vistas com destaque. Os olhos para tais administrações brilham principalmente no Brasil, país onde muitos clubes da elite convivem com dívidas exponenciais há décadas e lutam para sobreviver.
A questão financeira dos clubes geram dúvidas sobre o futuro: como sobreviver? Como manter o fluxo de caixa ativo? Uma das "soluções" estudadas por muitas equipes é assumir a associação de clube-empresa, seja pela compra da instituição ou com a chegada de um CEO. Em entrevista ao LANCE!, o economista César Grafietti afirmou que tal modelo não é moldado apenas por aspectos positivos.
- Inicialmente, eu achava que transformar o clube em empresa era a solução do futebol brasileiro. Mas, estudando mais, fui encontrando o equilíbrio. A gente tem o problema de olhar sempre os benefícios e nunca os riscos. Transformar as associações em empresa tem um monte benefícios, mas também um monte de riscos. Um exemplo é o que está acontecendo no Valencia, que a filha do dono falou: "O torcedor pode reclamar. O clube é nosso, a gente vai fazer o que bem entender e paciência". Esse é o risco do clube-empresa. O modelo societário é menos relevante do que o conceito dentro do clube. Se tiver gestão profissional com ideias corporativos não importa se é associativo ou empresa, importa como você gere. A prova disto são clubes como Barcelona, Real Madrid e, aqui no Brasil, Flamengo, Grêmio, Bahia ,Ceará, Fortaleza, associações que desempenham bem melhor que as outras - analisou.
O Botafogo é um dos clubes brasileiros que passa pela possível transformação para um modelo de clube-empresa. O Alvinegro está na fase final para o começo de uma SPE (Sociedade de propósito específico), que vai separar e profissionalizar o departamento de futebol da parte social do clube a partir da injeção financeira de investidores e a chegada de um grupo para liderar esta parte empresarial.
- É um caminho ruim simplesmente porque não tem outra alternativa. O Botafogo vai muito neste sentido. Caso a S/A não saia, o Alvinegro vai ter enormes dificuldades de seguir em 2021. Acaba desvirtuando o objetivo de agregar receita, trazer acionistas. O tema é muito maniqueísta. Tem o projeto do Pedro Paulo (atualmente no Senado) que defende o clube-empresa com unhas e dentes sem apontar nenhum risco e a turma da associação democrática, com sócios. Falta justamente ponderar riscos e benefícios para que as agremiações se encaixem na melhor oportunidade. Clube-empresa é bom, interessante, mas não é uma tábua de salvação - completou César.César Grafietti alerta para os riscos que a mudança para o modelo de clube-empresa pode trazer e que é preciso ter uma situação financeira estável para realizar tal transição. O economista, contudo, lembra que o clube de General Severiano dificilmente se manterá competitivo sem a S/A.
- Conheço pouco do projeto do Botafogo. Tenho dúvida se o fluxo de caixa para sustentar o social e os esportes olímpicos será suficiente. Hoje boa parte dos clubes têm social com os déficits grandes. Hoje o futebol sustenta esporte olímpicos do Flamengo, do São Paulo, do Botafogo. A hora que você corta o cordão umbilical, muitos esportes olímpicos deixarão de existir. Quando separa mas mantém o vínculo manterá os problemas do fluxo de caixa de um lado para o outro. É um risco. Não sei até que ponto vai contribuir para o processo. São decisões que precisam ser tomadas. Talvez seja a única alternativa do futebol do Botafogo continuar existindo nos próximos anos - afirmou.
Grafietti afirma que a situação atual de alguns clubes pode ser explicada pela relação histórica. Pessoas que estão nos bastidores há muito tempo e mínima reciclagem de cargos. Na opinião do economista, independentemente do modelo associativo adotado, nenhuma alternativa terá sucesso sem uma gestão competente.
- A gente fala que os clubes não têm dono, mas têm sim. Sócios, beneméritos, estatutários. Ninguém quer abrir mão disso e não dá espaço para oxigenação. Os clubes que melhor se desenvolvem são os que reciclam seus conselhos, trazem ideias novas e capacidade para colocar com cabeça diferente. Estes beneméritos que estão lá há anos acham que entendem de futebol porque viram o Roberto Dinamite jogar ou o Túlio treinar. Acham que entendem porque vivem o futebol há 50 anos, não é este o objetivo. Eles veem os rivais ganharem corpos de distância e acham que o modelo deles é o certo para gerir o futebol. O problema atual é a estrutura arcaica e travada que não dá espaço para organização nos clubes - finalizou.
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