Muito embora estejam em lados opostos do tabuleiro político nacional, Jackeline Rocha (PT) e Carlos Manato (PSL), ambos postulantes ao governo do Espírito Santo, têm um ponto muito forte em comum. Pode parecer paradoxal, porque de um lado nós temos Jackeline, apoiadora da candidatura do ex-presidente Lula ou do seu eventual substituto na corrida presidencial e, do outro, Manato, correligionário de Jair Bolsonaro e principal apoiador do presidenciável no Espírito Santo – além do senador Magno Malta (PR). O que une, então, esses dois candidatos ao Palácio Anchieta?
É que tanto a candidatura de Jackeline quanto a de Manato estão nitidamente a reboque dessas candidaturas nacionais. Ou seja, tanto a candidata ao governo pelo partido de esquerda como o candidato ao governo pela extrema direita estão a serviço dos respectivos candidatos à Presidência da República. Os sinais são visíveis, a começar pela maneira como ambas as candidaturas nasceram: com a marca da improvisação.
Tanto Jackeline como Manato foram lançados no finzinho do prazo que os partidos tinham para realizar as convenções (até o dia 5 de agosto). Até então, ninguém sabia que esses dois nomes estariam na disputa ao cargo de governador(a). E de repente se lançaram. Sem grande planejamento, sem discussão alguma com a sociedade capixaba. Sim, são candidatos ao governo do Estado; mas suas próprias candidaturas parecem absolutamente em segundo plano.
Na sabatina da CBN, realizada na última segunda-feira, Jackeline mostrou quase nada em termos de propostas concretas para o Espírito Santo. Falou bastante de Lula e do governo do ex-presidente. Fez a defesa do PT. Denunciou o que ela e os demais petistas consideram o “golpe” que teria sido o impeachment da ex-presidente Dilma. E mostrou que, mesmo sem chance alguma na corrida ao governo do Estado, vai usar essa candidatura ao governo justamente para manter o discurso em defesa da inocência de Lula. E, acima de tudo, para dar um palanque ao candidato do PT à Presidência – muito provavelmente Fernando Haddad, stand-by do ex-presidente.
E Manato? Manato tal qual Jackeline, só que servindo ao antagonista de Lula. Sua candidatura ao governo, para ele mesmo, também é secundária.
“Por não ter amor ao mandato de deputado federal, por ter amor a uma causa muito maior para o Brasil e com esse programa de governo na mão, eu me desprendi do meu mandato para tocar esse projeto, que é um projeto que está em consonância com o governo federal”, disse ele, em sua vez de ser sabatinado na CBN, na última quarta.
Manato inclusive já declarou que se considera um kamikaze de Bolsonaro – alusão aos pilotos de caças japoneses suicidas, que se matavam usando o próprio avião como bomba durante a Segunda Guerra Mundial. O candidato do PSL também tem poucas chances nessa disputa e, sabendo ou não disso, desistiu da candidatura à reeleição na Câmara Federal para colocar seu palanque e tempo de TV à disposição de Bolsonaro.
“Eu estava me preparando para ir para a Mesa Diretora (da Câmara). O projeto para Manato era um projeto para ir para a Mesa Diretora. Mas as circunstâncias... O Bolsonaro ia ficar isolado no Estado. Ia ter 2 segundos no tempo de televisão. Quando eu me tornei candidato ao governo, puxa, ele tem 18! O Estado em que ele tem o maior tempo de TV é o Espírito Santo. Meu programa é 1 minuto e 12 segundos, com 25%, dá 18 segundos para Bolsonaro”, vibrou Manato.
Esquerda e direita, quem diria, chegaram a um denominador comum no Espírito Santo: a eleição a governador(a) – cargo ao qual, convém lembrar, estão concorrendo – não é prioridade para nenhum dos dois candidatos.
Estreia na telinha
. Casagrande: programa morno, apresentação protocolar do candidato, mas ele está com o burro na sombra. Seu marketing não tem por que se arriscar nem inventar. É só seguir as receitas.
. Rose: somente evasivas.
. Aridelmo: texto ruim.
. Jackeline: só Lula enchendo a tela e Haddad falando. Mais uma evidência de que a candidatura serve a outras.
. Manato: humor involuntário ao posar como médico (que é, de fato), vestido a caráter, com jaleco e bisturi.
. André Moreira: entrou no fim e jogou pouco. Mal pegou na bola. Sem nota.
Roupagens escolhidas...
Quanto aos candidatos ao Senado, Ferraço vem com superprodução (leia-se grana). Magno focou no prêmio recém-concedido a ele pelo “Congresso em Foco” (esqueceu-se de mencionar que foi no “voto popular”). Quanto a Contarato, o estilo sentimental da marqueteira Jane Mary Abreu parece destoar do candidato, de perfil racional e argumentativo.
... ou tolhidas
Já Do Val inovou. Em entrevista publicada pela coluna no Gazeta Online na quinta, Magno afirmou que o PT realizou um “striptease moral” no país. Por sua vez, o ex-instrutor da Swat lançou o “striptease eleitoral”, tirando várias camadas de roupa no vídeo. Ficou estranho.
Vote no anônimo
A propósito, não foi só a roupa que Do Val tirou na estreia. Em inserções de rádio, ele diz as propostas, o número, tudo... Menos o nome.
Falando em esquecimento
Já André Moreira, um dos quatro que não entregaram o programa de rádio na estreia, incluiu na sua agenda oficial de hoje: concluir o jingle de campanha. Só Rose e Casagrande estrearam de verdade às 7h de sexta-feira (31) nas ondas do rádio.