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Economia

O Espírito Santo precisa de um plano de desenvolvimento - Parte 5

O Estado tem a oportunidade de desenvolver um novo segmento industrial baseado na exploração do gás, sendo possível criar uma cadeia produtiva integrada a outros setores econômicos

Publicado em 08 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

08 nov 2019 às 04:00
Aldren Vernersbach

Colunista

Aldren Vernersbach

aldren.vernersbach@gmail.com

Gás natural canalizado Crédito: Agência Petrobras
A indústria do gás constitui-se uma parte autônoma da cadeia do óleo e gás, com uma organização industrial específica e um mercado particular. A indústria de gás natural brasileira (IGN) ainda está em uma etapa inicial de desenvolvimento, pois passou a fazer parte da estratégia do plano energético nacional apenas a partir da segunda metade da década de 1980.
Com a descoberta de grandes campos gasíferos – o Espírito Santo possui até o momento a quarta maior reserva de gás natural do país (68.066 milhões de m³) – juntamente com a transferência do controle da distribuição de gás aos Estados da federação, a IGN iniciou uma fase de expansão. Contudo, a concentração do mercado gasífero nas subsidiárias da Petrobras impediu a formação de um mercado expandido para o gás.
Diante desse cenário de concentração do mercado, objetivando diversificar os agentes atuantes na cadeia produtiva gasífera, o governo federal criou o programa Novo Mercado do Gás para iniciar a ampliação da concorrência no mercado do gás e expandir o seu uso na geração de eletricidade e na indústria química associada à sua cadeia produtiva.
Entre os agentes atuantes no mercado gasífero, destacam-se as empresas que realizam todas as atividades da sua cadeia produtiva, desde a exploração até a sua monetização por meio da geração de termoeletricidade. Este modelo de negócio é promissor na IGN, pelo fato de explorar o potencial de reservas de gás onshore. A integração da planta exploratória com a produção do gás e sua transformação em energia termoelétrica promove a monetização imediata do gás, reduzindo custos de transporte ao permitir a geração de eletricidade na boca do poço de extração.
Em um cenário de reformulação da regulação econômica da IGN, visando à ampliação da concorrência e aumento do seu mercado consumidor, os empreendimentos termelétricos são uma alternativa para o aumento da segurança energética e para o crescimento do setor, além de promover o desenvolvimento descentralizado na região em que as reservas e a plantas industriais se localizam.
O Espírito Santo tem a oportunidade de desenvolver um novo segmento industrial baseado na exploração do gás, sendo possível criar uma cadeia produtiva integrada a outros setores econômicos (eletricidade e indústria química). Vale destacar que o gás é um recurso natural originalmente capixaba e tem o potencial de gerar desenvolvimento descentralizado, principalmente no Norte do Estado.
A estruturação da ES Gás representa apenas uma parte de um plano necessário ao aproveitamento do potencial gasífero capixaba. Nesse sentido, o Espírito Santo precisa delinear mecanismos que permitam o máximo aproveitamento dessa oportunidade que se apresenta, contribuindo para a atração de operadoras para os campos exploratórios onshore, indústrias químicas da cadeia produtiva gasífera e geradoras de termoeletricidade.
Todo o imenso potencial do gás deve ser aproveitado e, para tanto, o governo do Estado deve estar disposto a realizar um grande esforço na formulação de um projeto para criar uma Indústria Gasífera em território capixaba, atrelado ao desenvolvimento regional.
Esse projeto para a Indústria Gasífera deve abarcar o uso das rendas advindas do segmento para o estímulo ao surgimento de outros setores econômicos não relacionados a recursos naturais finitos, mas baseados em conhecimento e tecnologia. Logo, o estímulo ao crescimento do setor gasífero pode ser posicionado como um dos impulsionadores contemporâneos da economia estadual, devendo compor o novo plano de desenvolvimento do Espírito Santo.

Aldren Vernersbach

A economia capixaba tem espaço aqui, com textos do economista, pesquisador e consultor, vinculado ao Instituto de Economia da UFRJ, membro do GEE, economista-membro da International Association for Energy Economics (IAEE) e do Institute for New Economic Thinking (INET)

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