Mais de 20 anos após o Brasil registrar avanços na educação básica, o campo ainda convive com altos índices de exclusão escolar. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que cerca de 23% dos trabalhadores rurais permanecem analfabetos no país.
Para enfrentar esse desafio, a startup capixaba residente do Fonte Hub, Luma Ensino, aposta na inovação como caminho para transformar a realidade. A edtech lançou o Projeto Trilhar, uma iniciativa de alfabetização desenvolvida em parceria com a Fazenda Três Marias, em Linhares, no Norte do Espírito Santo.
O programa atenderá sete trabalhadores da fazenda, com aulas semanais construídas a partir do cotidiano do campo e da valorização dos saberes locais. A primeira etapa começa no dia 18 de agosto, com avaliações diagnósticas individuais.
Com duração prevista de 11 meses, a trilha de aprendizagem será conduzida pela equipe pedagógica da Luma, que adota metodologias ativas, escuta sensível e adaptação à rotina dos alunos. Para a pedagoga da startup, Andrielle Petersen, o Trilhar também é uma oportunidade de transformação pessoal.
“A ideia surgiu da escuta atenta à realidade rural e da crença de que a educação transforma, especialmente quando semeada em solos pouco explorados pelo ensino formal”
Rotina do campo como ferramenta de ensino
Diferente dos métodos convencionais, o Trilhar parte das vivências reais dos trabalhadores. Em vez de letras isoladas, os conteúdos se formam a partir de palavras presentes no dia a dia rural.
“O saber do campo será valorizado e transformado em ponte para o conhecimento formal. Cada palavra aprendida carrega um sentido real na vida de quem aprende, motivando a seguir no processo”, explica Andrielle
Residente do Fonte Hub, polo de inovação da Rede Gazeta, a Luma desenvolve plataformas educacionais com experiências personalizadas. Com o Trilhar, expande sua atuação para áreas rurais e aposta na inovação como ferramenta de impacto social.
A expectativa é que a experiência em Linhares possa ser replicada em outras comunidades rurais do Espírito Santo.
“O que mais nos orgulha é ver esses trabalhadores dispostos a sair da zona de conforto para encarar esse desafio. Muitos guardaram seus sonhos em silêncio por anos. Agora, com o projeto, esses sonhos ganham voz”, conclui Andrielle.