
Helvécio de Jesus Júnior*
Não se trata de mera coincidência. O movimento de reação ao chamado “globalismo” na política internacional finalmente teve seu reflexo no Brasil. Após as vitórias de Donald Trump nos EUA, Macri na Argentina, Matteo Salvini na Itália, Sebastián Piñera no Chile, Netanyahu em Israel, o movimento Brexit no Reino Unido, entre outros movimentos políticos à direita do espectro político, o Brasil finalmente teve em Jair Bolsonaro seu representante anti-globalista dentro de um fenômeno político internacional que tem algumas características comuns.
A primeira característica desse fenômeno reativo é um resgate dos valores indenitários nacionais contra influências políticas exógenas, notadamente o chamado globalismo, uma ideologia política antiga, com uma visão utópica de enfraquecimento dos Estados nacionais, acreditando que assim haveria mais paz mundial. Para isso, o fortalecimento de organizações internacionais, governamentais ou não, como a ONU, baluarte do globalismo atual, seria um objetivo fulcral dessa ideologia regida por burocratas não-eleitos com uma agenda padrão internacional, na maior parte das vezes, politicamente correta.
Globalismo também é diferente de globalização, que significa o fluxo espontâneo econômico de interdependência entre as nações em um mercado aberto mundial. O globalismo significa controle de cima para baixo e necessariamente uma supressão do princípio da soberania estatal.
Outra característica, de cunho mais prático, desse movimento conservador vitorioso, foi o total fracasso político, econômico e social da esquerda política. A política da esquerda de fronteiras abertas, de narrativas ideológicas segregacionistas entre pobres e ricos, mulheres e homens, brancos e negros, héteros e homossexuais, não representa a vontade da maioria da população que tem problemas práticos reais muito mais severos como a criminalidade, o desemprego e a pobreza. Desastres econômicos como o da Venezuela de Chávez, Argentina de Kirchner e o Brasil do PT foram derrotados pela força popular indignada que encontrou em Bolsonaro um caminho de reação ao sistema político corrupto estabelecido.
A política exterior será apenas um reflexo desse desejo nacional anti-globalista que será levada a cabo pelo novo ministro Ernesto Araújo, um representante realista que buscará resgatar os interesses nacionais definidos em termos de poder do Brasil e não pautados por ideologias que submeteram a diplomacia brasileira às forças supranacionais desconectadas da realidade brasileira ou ainda por alinhamento com ditaduras financiadas com dinheiro dos cidadãos como ocorreu durante os governos do PT. O governo Bolsonaro é agora, de fato, mais uma força de ração à perniciosa ideologia do globalismo.
*O autor é doutor em História e professor do curso de Relações Internacionais da UVV