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Acima da inflação

Aluguel residencial continua em alta em fevereiro, sem previsão de redução

Preço do aluguel teve alta de 1,61% no último mês. Profissionais do mercado de locação no ES apontam mesma tendência no Estado, por conta da valorização dos imóveis

Publicado em 15 de Março de 2023 às 15:13

Eduarda Moro

Publicado em 

15 mar 2023 às 15:13
Aluguel de imóvel
Demanda por aluguel continuará em alta por conta da demanda maior do que a oferta e pela valorização imobiliária dos últimos dois anos Crédito: Freepik
Foi divulgado nesta quarta-feira (15) o Índice FipeZap+ de Locação Residencial, registrando uma alta de 1,61% em fevereiro, ficando acima dos principais índices de preço da economia brasileira, como o IPCA/IBGE (+0,84%) que mede a inflação e o IGP-M/FGV (-0,06%), principal base para reajuste dos aluguéis. No acumulado de 12 meses, esse aumento chega a 17,05%, seguindo a tendência do primeiro mês do ano, que também registrou acréscimo.
O economista do Índice FipeZap+, Pedro Tenório, explica que essa aceleração é considerável e surpreendente, porque os últimos dados relativos ao Produto interno Bruto (PIB ) apontaram arrefecimento da atividade econômica, o que costuma ter impacto nos preços.
“No entanto, comparando fevereiro deste ano com o mesmo mês de 2022, teríamos aumento médio de 21,1% ao ano, enquanto o mesmo exercício para janeiro implica em crescimento anual de 15,5%, o que não era esperado. Para os próximos meses, porém, a expectativa é que o esfriamento da atividade econômica chegue ao mercado de trabalho, o que deve desacelerar o aumento do aluguel residencial. De qualquer forma, não se vislumbra queda de preço ainda este ano, olhando para a média nacional, mas é possível que em algumas cidades, haja recuos pontuais dos preços de locação”, avalia
A amostra não inclui o Estado do Espírito Santo, mas especialistas do mercado imobiliário capixaba analisam que a valorização de imóveis continuará refletindo nos preços de locação.
Para o vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Gilmar Custódio, não é possível fazer previsões assertivas, mas esses dados, de uma forma ou de outra, impactarão nos novos contratos e nas repactuações de valor.
“Um fator que podemos apontar é que a maioria das pessoas que aluga fora de imobiliária faz contrato de 12 meses, o que não é permitido por lei. E o proprietário reajusta a qualquer momento do contrato, o que pode inflacionar as novas locações do mercado, as relações com locatário e pagamentos dos encargos, por exemplo”, aponta.
Além disso, o que certamente anda pesando nesses reajustes de preços é a procura muito maior do que a oferta de imóveis para alugar, uma das consequências da inflação na economia, que tem efeitos em cadeia.
“Não há previsão para melhora do cenário, visto que a Região Metropolitana da Grande Vitória não tem capacidade de reverter a escassez de oferta de imóveis, principalmente em áreas mais procuradas. E outras taxas, como a condominial, continuarão tendo um impacto no mercado de locação. Dessa forma, os proprietários precisarão ser mais flexíveis nos preços, abrindo margem para negociações”, analisa.

Sem redução a curto prazo

O diretor da Betha Espaço, Charles Bittencourt, também não vê sinais de diminuição dos preços de aluguel a curto prazo, uma vez que concorda que a oferta baixa de imóveis continuará sendo uma constante.
“Mas, ainda assim, vemos um aumento de lançamentos de empreendimentos residenciais, em especial em Vila Velha, o que promete desacelerar o cenário ao longo do tempo. No entanto, a valorização dos imóveis vai permanecer no mercado, assim como o crescimento consequente da atratividade dos investimentos imobiliários, que, eventualmente, irá estabilizar os preços como forma de autorregulação”, afirma.
Os preços do aluguel mantidos baixos ou sem reajuste durante o período de isolamento social continuam acompanhando a valorização imobiliária no Estado após o abrandamento da pandemia da Covid-19.
O vice-presidente da Ademi-ES alerta, no entanto, que a mesma regra não pode ser usada para imóveis comerciais. “A demanda de ocupação de espaço para moradia é maior do que a procura. Isso não acontece para fins comerciais”, finaliza.

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