Tabuazeiro, Maruípe, Jucutuquara, Bento Ferreira, Goiabeiras… Aposto que, em algum momento, enquanto falava sobre os bairros de Vitória, você já se perguntou: de onde vêm esses nomes?
Alguns fazem referência à presença indígena e à história do Espírito Santo. Outros estão ligados a personagens, características da região e até a lendas sobre figuras misteriosas. São histórias que ajudam a contar a trajetória da capital, mas que nem sempre são conhecidas pelos próprios moradores.
E já que amanhã, 8 de setembro, Vitória completa 475 anos, HZ resolveu entrar nessa viagem pelo passado e investigar a origem de alguns dos nomes mais curiosos dos bairros da capital. Afinal, por trás de cada nome pode existir uma história. E algumas são bem mais surpreendentes do que parecem.
A partir da década de 1960, o Barro Vermelho começou a se consolidar com o avanço da urbanização da região. O bairro recebeu esse nome por uma característica marcante do terreno: o solo argiloso, de coloração avermelhada, que predominava por ali.
Mas a história do local guarda uma curiosidade: o Barro Vermelho quase se tornou o cemitério de Vitória. Durante o Plano Novo Arrabalde, um dos primeiros projetos de planejamento e expansão urbana da capital capixaba, a área chegou a ser considerada para a instalação de um cemitério. A escolha estava relacionada justamente ao tipo de solo, cuja argila vermelha era considerada favorável para esse tipo de finalidade, além da localização estratégica da região, próxima ao centro da cidade.
Jardim Camburi é o bairro mais populoso de Vitória. E se fosse um município independente, teria uma população maior do que a de várias cidades do Espírito Santo, ocupando a 10ª posição entre os municípios mais populosos do Estado. O nome do bairro também guarda uma história curiosa.
“Jardim” é uma denominação comum em nomes de loteamentos. Já “Camburi” tem origem tupi-guarani e possui dois significados atribuídos à palavra. Um deles é “rio de robalos”, em referência ao peixe que era abundante na região próxima à praia de Camburi.
A outra interpretação seria “rio sinuoso” ou “rio que muda”, uma referência ao antigo curso d’água da região. A foz do rio mudava de trajeto com facilidade de acordo com a ação das marés e das correntes, característica que teria inspirado o nome.
Outro bairro de Vitória com nome de origem indígena é Maruípe. A referência é ao maruim, inseto abundante em áreas de mangue, por isso um dos apelidos que recebe é "mosquito do mangue". Em tupi-guarani, maruim significa "mosca pequena", em uma alusão ao seu tamanho diminuto, e foi dessa mesma raiz que surgiu o nome do bairro: Maruípe, ou "caminho das moscas".
Outro bairro famoso da cidade é Bento Ferreira, e deste existe uma lenda que sonda sua origem. A principal hipótese diz referência a um misterioso ferreiro chamado Bento que trabalhava em uma empresa férrea inglesa no bairro.
Por conta de sua fama pela população local, o bairro foi se tornando conhecido pelo ferreiro, sendo nomeado depois de Bento Ferreiro, e posteriormente “Bento Ferreira”. Mesmo que não exista nenhum registro histórico desse Bento, essa foi a origem do nome que mais se popularizou.
Provando a forte presença da influência indígena na formação de Vitória, Inhanguetá é outro nome de de bairro com origem tupi. O nome significa “Pedra do Diabo” na língua tradicional, mas não faz referência ao diabo conhecido na tradição cristã, sendo provavelmente sobre algum espírito ou fantasma de uma comunidade que vivia no local antes da colonização.
O nome também surgiu graças a “pegadas” que existiam na terra que se apelidaram de “pegadas do diabo”. Algumas teorias surgiram após a colonização sobre o porquê desse nome, como um possível fazendeiro local que fez um pacto com o diabo e até um confronto de Santo Antônio contra o diabo.
Jucutuquara é outro bairro conhecido da cidade. O nome também tem origem animal: "quara" seria sinônimo de "ninho" em tupi-guarani, e "jucutu", de "coruja", de modo que o nome traduzido seria "ninho de corujas". Há ainda outra tradução para "jucutu": "pássaro do buraco da pedra", referência à famosa Pedra dos Dois Olhos, um dos pontos mais altos da região de Vitória, onde corujas costumam se abrigar nas cavidades da rocha.