Por Patrick Mizrahi, Analu Fagundes, Camila Leão e Kamila Rossi
Para quem chega de fora, o Movimento Cidade é uma oportunidade de descobrir novos sons, linguagens e formas de expressão. Realizado em Vila Velha, o evento reúne música, cinema, artes visuais, dança e economia criativa em uma programação que ultrapassa os limites do Espírito Santo e atrai visitantes de diferentes lugares.
No primeiro dia desta edição, na última sexta-feira (14), o olhar de quem chega de outras cidades e estados ajudou a revelar diferentes formas de viver o festival.
Uma dessas experiências vem de quem cruza a divisa estadual para voltar ao festival. Cleverson Bandeira, de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, voltou ao Espírito Santo para participar pela segunda vez do Movimento Cidade. Neste ano, ele viajou acompanhado de cerca de seis amigos e conta que decidiu retornar ao festival pela experiência positiva da primeira edição.
“A minha expectativa, na verdade, já foi desenhada no primeiro ano que eu vim, tanto que eu comprei o ingresso sem nem saber quem seria o line-up, a galera que ia vir, mas eu já tava confiante que seria massa, e aí resolvi vir com meus amigos e cá estamos”, conta.
A forte presença do público do interior do Espírito Santo também faz a diferença. Pedro Boechat, morador de Bom Jesus do Norte, participa do festival pela primeira vez e vê na variedade musical um dos principais atrativos.
A gente é do interior, não temos muito acesso a esse tipo de música, de variedade musical
Pedro Boechat Morador de Bom Jesus do Norte
Para ele, a oportunidade de encontrar diferentes ritmos no mesmo espaço amplia o acesso a artistas e estilos que nem sempre fazem parte da programação cultural das cidades do interior.
“Então chegar aqui e ouvir o que a gente gosta é muito bom”, completa.
Para além dos shows no palco principal, o festival promove uma fusão da cultura local com a nacional. A tenda Tudo é Divino, apresenta manifestações culturais de várias regiões do país. O israelense Yiftah Peled acompanhava a apresentação de um grupo de capoeira quando conversou com a nossa equipe e destacou: “Estar no meio da cultura é um privilégio muito grande, mas também um desafio. Sobreviver nesse meio é difícil, e estar aqui traz um sentimento muito forte.”
Morando no Brasil há 35 anos, esta foi sua estreia no festival, e ele se destacou animado com a diversidade do público: “Quando você tem um público tão amplo, significa que o festival consegue unir não apenas culturas, mas também gerações”, pontuou.
O Grupo Folclórico Jaraguá, de Anchieta, veio do sul capixaba para aproveitar o evento e se apresentar. “Ver a cultura de um município pequeno ser representada em um festival desse porte é muito importante”, disse Douglas Júnior, um dos coordenadores.
O grupo realizou um cortejo musical retratando a história do Jaraguá, uma lenda regional sobre um ser com tronco de cavalo e corpo coberto de musgo que, segundo a tradição, roubava um dos integrantes da aldeia caso os povos indígenas não obedecessem. Como os jesuítas usavam essa narrativa no processo de catequização dos povos originários, recontar essa história de forma correta e difundi-la em um grande evento na capital tem um significado enorme e emocionante para o grupo.
A experiência de quem vem de outras cidades do Espírito Santo também passa pela economia criativa. Melina, artesã da Anilez Acessórios, saiu de Aracruz, onde mora há quase 15 anos, para participar pela primeira vez do Movimento Cidade.
Ela levou ao festival acessórios produzidos artesanalmente com cerâmica plástica e vê na presença de um público diverso uma oportunidade de apresentar o trabalho. “É uma grande oportunidade, um público muito diverso, um público muito legal, e a gente está super animada e ansiosos”, afirma.
Cleverson saiu da Bahia, Pedro deixou Bom Jesus do Norte, Melina veio de Aracruz e o grupo de Anchieta trouxe uma tradição do sul capixaba. Histórias diferentes, mas que se encontram em um mesmo lugar: um festival que, para quem vem de fora, pode ser também uma porta de entrada para conhecer outras formas de cultura.
*Por Patrick Mizrahi, Analu Fagundes, Camila Leão e Kamila Rossi são alunas do 29º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação e edição do editor de HZ, Felipe Khoury.
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