“Usamos o muralismo como forma de democratizar a cultura”
Quem passar pelo bairro Santa Clara, pelo acesso ao Morro do Moscoso ou pelo Barro Vermelho vai notar um novo colorido nas ruas. Três murais artísticos, recém-entregues pelo Coletivo de Cultura Cores que Acolhem, deram uma “nova cara” para espaços antes desgastados pelo tempo em Vitória.
O projeto, batizado de “Cores Comunidades”, uniu cultura e educação em 500 m² de pintura artística. As intervenções transformaram a Escadaria Santa Clara e os muros laterais da Escadaria do Moscoso, ambas no Centro, e a Escadaria da Grécia, no Barro Vermelho.
A iniciativa nasceu de pedidos das próprias comunidades, após o sucesso do projeto “Colorindo o Centro”, realizado em 2022, que cobriu mais de 2.500 m² de murais contando a história da região.
Os murais foram criados por Thais Cordeiro, Renata Nunes e Israel Scárdua, com coordenação de Stefan Marques. Cada trabalho foi desenvolvido a partir de conversas com moradores e lideranças, garantindo que a identidade local estivesse presente em cada traço.
Além de embelezar, o projeto ofereceu oficinas de pintura para alunos com altas habilidades da EMEF Álvaro de Castro Mattos, em Jardim da Penha. Os estudantes participaram do processo criativo, aprenderam técnicas e colaboraram na construção das obras que resgatam a memória dos bairros.
As escadarias
Na Escadaria da Grécia, a pintura remete a uma vila grega com casas, mar e a figura de Poseidon, celebrando a presença histórica da comunidade grega no bairro. Tons de azul e branco, inspirados na bandeira da Grécia, e os tradicionais “olhos gregos” completam a cena.
Já nos muros da Escadaria do Moscoso, a arte retrata a primeira fonte de abastecimento da região, as lavadeiras, o sapateiro Valdecir e homenagens a figuras queridas como Dona Olga, além de painéis com as cores das escolas de samba Acadêmicos do Moscoso e Lira do Moscoso.
Na Escadaria Santa Clara, a comunidade pediu uma homenagem à santa que dá nome ao local. O espaço virou um jardim colorido, com flores, pássaros e as figuras de Santa Clara e São Francisco, acompanhadas da frase: “Devo florir onde o Senhor me plantar”.
Sobre o coletivo
O Coletivo Cores que Acolhem surgiu em 2017, em Jardim da Penha, e reúne mais de 15 produtores culturais de áreas como artes plásticas, música, teatro, audiovisual, dança, economia criativa e até medicina. Desde então, vem levando cor, história e afeto a diferentes regiões da cidade.
Para Renata Nunes, responsável pela área artística do coletivo, o muralismo aproxima pessoas de diferentes realidades e cria vínculos culturais que ultrapassam fronteiras.
“O reconhecimento do trabalho por parte dos moradores transforma os murais em atrativos turísticos, seja para fotos de visitantes ou por sua presença nos meios de comunicação”, afirma.