Quem decide quais artistas entram para a história da arte? E por que alguns nomes ganham reconhecimento enquanto outros permanecem invisibilizados? Essas perguntas nortearam a pesquisa da capixaba Maria Galacha e deram origem ao livro Arte Contemporânea no Espírito Santo: Gênero, Raça e Instituições, que será lançado no dia 1º de agosto, às 10h, no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), em Vitória.
Resultado da dissertação de mestrado da pesquisadora em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a publicação analisa como instituições culturais, relações de gênero e questões raciais influenciaram a formação da cena artística capixaba ao longo do tempo. Com prefácio da curadora Horrana de Kássia, o livro reúne pesquisa histórica, análise crítica e dados sobre a presença de mulheres e artistas negros em espaços de legitimação da arte.
Segundo Maria Galacha, a investigação nasceu ainda na graduação, a partir de inquietações sobre quem ocupa os espaços culturais no Estado.
"Eu tinha dúvidas sobre por que a maioria das instituições de arte e cultura está concentrada no Centro de Vitória e percebia também a falta de artistas jovens, artistas negras e artistas mulheres. Esse questionamento acabou se tornando o ponto de partida da pesquisa", conta.
A autora explica que o objetivo nunca foi apenas identificar desigualdades, mas compreender como elas são produzidas e de que forma podem ser transformadas.
Meu desejo era entender como funciona esse sistema da arte, como ele produz apagamentos e como pode ser transformado
Maria Galacha, pesquisadora
Artistas que desafiaram o apagamento
Além de discutir o papel das instituições, a obra destaca trajetórias de artistas que vêm ampliando os horizontes da produção contemporânea no Espírito Santo, como Nice Nascimento Avanza, Castiel Vitorino Brasileiro e Kika Carvalho.
O livro evidencia o contraste entre o reconhecimento conquistado por esses nomes em circuitos nacionais e internacionais e a pouca visibilidade que muitos ainda tiveram dentro do próprio Estado.
Para Maria, a publicação também busca provocar identificação entre as novas gerações. "Gostaria que estudantes negros e negras se vissem nas artistas, nas obras e nas histórias presentes no livro. Que encontrassem ali um espelho, uma possibilidade de criação e pertencimento."
Livro também chegará às escolas
O projeto vai além do lançamento. Ao todo, 300 exemplares serão distribuídos para escolas públicas do Espírito Santo, acompanhados de ações formativas voltadas a estudantes e professores da rede estadual.
Uma das atividades será realizada no Colégio Estadual do Espírito Santo, com alunos da eletiva Arte, Saberes e Ciências Negra, ministrada pelas professoras Tamyres Batista e Winny Rocha. A proposta é ampliar o debate sobre representatividade, memória e produção artística dentro do ambiente escolar.
Escolher o MAES como palco do lançamento também carrega um significado especial para a autora.
Por se tratar da história da arte capixaba, fazia sentido lançar o livro no museu que leva o nome do nosso Estado. É importante que os debates sobre raça e gênero aconteçam em todas as instituições culturais, e não apenas em espaços tradicionalmente associados a essas pautas
Serviço
Lançamento do livro Arte Contemporânea no Espírito Santo: Gênero, Raça e Instituições
Quando: 1º de agosto, às 10h
Onde: Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), em Vitória
Entrada gratuita