Uma igreja como sala de cinema. É nesse cenário que o documentário capixaba “Meu Pai e Eu” será exibido gratuitamente nesta quarta-feira (23), em Vitória. A sessão acontece na Igreja da Praia, às 19h30, como parte da programação do Setembro Amarelo, e será seguida por uma conversa do diretor Thiago Moulin com o público.
Em vez de uma sessão tradicional em uma sala de cinema, a produção será exibida em um ambiente de fé e convivência comunitária, dentro de uma programação dedicada a discussões relacionadas à saúde mental. O documentário parte de uma história familiar para falar sobre memória, afetos, silêncios, ressentimentos e relações que continuam reverberando mesmo depois da morte.
“Meu Pai e Eu” nasceu de uma experiência pessoal de Moulin. Dez anos depois da morte do pai, o cineasta abriu a única herança que havia recebido dele: uma mala cheia de fragmentos de uma vida inteira. Dentro dela estavam fotografias, cartas, poesias, cartões-postais, textos escritos em guardanapos e outros objetos.
O material se transformou no ponto de partida para uma investigação sobre a relação entre pai e filho. Ao lado de relatos de familiares e amigos, as lembranças encontradas na mala ajudam o diretor a reconstruir parte da história do pai enquanto revisita também suas próprias memórias.
Mais do que contar a história de uma pessoa, o documentário acompanha o processo de Moulin ao revisitar uma relação marcada por afetos, conflitos e silêncios.
Revi minha relação com meu pai, seus erros, acertos e, principalmente, os silêncios. Esse filme não é apenas sobre ele ou sobre mim; é sobre como todos nós lidamos com as escolhas que moldam nossas relações
Afirma o diretor
A proposta acaba aproximando a experiência particular do cineasta de questões que podem ser reconhecidas pelo público. Desejos interrompidos, ressentimentos, escolhas e assuntos que ficaram sem ser ditos aparecem na narrativa como elementos de uma relação familiar que continua sendo revisitada mesmo após a morte.
Por isso, a exibição dentro de uma igreja, inserida em uma programação voltada ao Setembro Amarelo, cria também uma oportunidade de conversa sobre temas que nem sempre encontram espaço para ser discutidos abertamente.
Depois da sessão, Moulin participa de um debate com o público. A ideia é conversar sobre o filme e sobre os caminhos percorridos durante a produção, que o diretor define como um processo “visceral e solitário”.
Antes de chegar à Igreja da Praia, “Meu Pai e Eu” foi selecionado por diferentes festivais de cinema no Brasil e no exterior. O documentário foi selecionado para o CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, o Festival de Cinema de Vitória, o Festival Guarnicê de Cinema e o CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte. A produção também foi selecionada para Festival Internacional de Cine de Guayaquil, no Equador.
O longa marca a estreia de Thiago Moulin na direção de um filme. O cineasta é sócio e produtor da Graúna Digital, produtora especializada em documentários com temáticas sociais, e foi produtor de “Toda Noite Estarei Lá” (2023), premiado documentário dirigido por Tati Franklin e Rodrigo Campos.
Atualmente, Moulin trabalha em projetos como “Estado Sitiado”, longa-metragem sobre a greve da Polícia Militar no Espírito Santo em 2017, e “Atingidos”, série sobre o crime ambiental no Rio Doce, entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Exibição de “Meu Pai e Eu” + debate com o diretor Thiago Moulin
Quando: quarta-feira (23), às 19h30
Onde: Igreja da Praia — Avenida Rio Branco, 900, Vitória
Entrada: gratuita