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Nádia Alcalde

Do café ao vinho: um passeio por 7 vínicolas do Cerrado Mineiro

Propriedades onde vinhedos dividem espaço com cafezais se destacam na produção de uvas viníferas em Minas Gerais
Nádia Alcalde

Publicado em 11 de Agosto de 2025 às 22:17

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Vinhedo divide espaço com cafezal na vinícola Casa Bruxel, em Patos de Minas   Crédito: Siderlei Ditadi
Minas Gerais vem se destacando continuamente na produção de vinhos, com um crescimento significativo na produção da bebida de uns anos pra cá. Já são vários os vinhedos que dividem espaço com cafezais, canaviais e outras culturas tradicionalmente presentes no Cerrado Mineiro.
Para conhecer de perto o trabalho familiar dedicado à qualidade das vinhas na região, viajei até lá, a convite da Consevitis, o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul, e do Sebrae Minas, para percorrer algumas regiões produtoras. 
A colheita no Cerrado Mineiro acontece exatamente agora, no inverno, época do ano que chega a ficar até 100 dias sem chuva - condição ideal para maturação de uvas e produção de vinhos de qualidade. O tira-e-bota casaco também deixa clara a amplitude térmica naquela área, que à noite chega a marcar 6ºC.
Ver o parreiral carregado nesse período só é possível por conta da técnica de dupla poda, que inverte o ciclo natural da videira, como já acontece nas cidades produtoras de uvas viníferas do Espírito Santo e de outros locais da Região Sudeste.

Uvas cultivadas 

A Syrah e a Sauvignon Blanc são as uvas de destaque, mas a diversidade de outras cepas cultivadas é bastante notável. Além das variedades mais comuns, os vinhedos mineiros exploram também variedades não tão conhecidas mas que se adaptaram bem ao terroir local, como as brancas Chenin Blanc, Marsanne e Roussane.
Na vinícola Arpuro, localizada em Uberaba, são 14 hectares de vinhedo em uma fazenda que antigamente era pasto. O projeto, iniciado em 2021, passou por uma regeneração de solo e conta com 50% da área total de mata preservada,  o que faz toda a diferença para o microclima.
Atualmente são produzidos quatro rótulos, mas já existe a promessa de que vários outros estão por vir, inclusive um espumante de Moscatel elaborado pelo método tradicional. Um dos vinhos que degustei ainda estava na barrica de carvalho: um Syrah com Marselan, com lançamento previsto para 2027. Até lá, a vinícola deve investir bastante em enoturismo, com visitas guiadas e estrutura moderna para receber o público.

Entre vinhedos e cafezais 

Na cidade de Patrocínio,  a vinícola Raro Recanto lançou este ano seu primeiro vinho: um rosé 100% Syrah bem frutado e fresco. A família que conduz o plantio tem vasta experiência com a produção de cafés de qualidade e recepciona os visitantes com xícaras da bebida antes dos passeios. Durante o inverno e com agendamento prévio, também é possível participar de uma colheita simbólica.
O espaço, que fica bem próximo a uma da principais rodovias do município, conta ainda com um restaurante de culinária mineira e um complexo para prática de esportes.
Também em Patrocínio está a vinícola Bambini, responsável por colocar o Cerrado Mineiro no mapa de produção de vinhos finos do Brasil. Flávio Bambini, engenheiro agrônomo que começou a produzir vinhos em 2015 por hobby, destaca uma das vantagens de cultivar uvas e grãos na mesma fazenda: com a dupla poda, em ambas a colheita ocorre na mesma época. “Aproveitamos a mesma mão de obra, o mesmo maquinário e otimizamos o custo”, conta o produtor, que atua como consultor de café no Sebrae Educampo.
Para 2026, espera-se que, dos atuais 25 hectares de vinhas no Cerrado Mineiro, a produção atinja cerca de 137 mil garrafas, fruto do trabalho de onze produtores, oito deles também cafeicultores.

Vinhos e tecnologia

A Alma Rios, situada em Patos de Minas, é uma vinícola de grande destaque que investe em tecnologia e inovação. Um de seus vinhos é um Sauvignon Blanc elaborado com mínima intervenção e leveduras da própria uva, sem filtração, além de um rosé de Cabernet Sauvignon bastante equilibrado, com notas florais e de frutas vermelhas.
A vinícola oferece visita guiada aos vinhedos, degustação e almoço com menu autoral. Também vale citar um espaço da fazenda dedicado a animais exóticos, como lhamas e búfalos.
Na Casa Bruxel, ainda em Patos de Minas, vinhedo e cafezal ficam lado a lado. As visitas à propriedade incluem passeios pelas plantações, degustação de rótulos e explicações sobre as variedades de uvas e o terroir local. 

Nova rota no cerrado

A Serra do Salitre, que se destaca por suas belas paisagens e é referência em diversos circuitos turísticos, como o da cachaça e do queijo, agora compõe a rota de vinhos do Cerrado Mineiro.
Nessa região, a altitude pode chegar até 1.200 metros, com um clima bastante benéfico para a produção de uvas e vinhos finos. Uma de suas vinícolas é a Bruma Alta, que ainda está com seu projeto vitivinícola em desenvolvimento e se prepara para oferecer em breve experiências enogastronômicas.
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Vinícola Bruma Alta fica na Serra do Salitre, a 1.200 metros de altitude Crédito: Siderlei Ditadi
Ao lado da Bruma Alta está a Balerini, já na quarta geração de produtores - a empresa é comandada pelos filhos de Marcelo Balerini, que idealizou o plantio das vinhas. Com trabalho ainda artesanal e produção pequena, a vinícola visa à qualidade dos vinhos, que entregam bastante estrutura, como o Syrah Gran Reserva Timoneiro, com 12 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso.

Vinícolas consultadas: 

  • Vinícola Arpuro -  (34) 3328-8837. Instagram: @arpuro.wine
  • Vinícola Raro Recanto - (18) 99674-2313. Instagram: @raro.recanto
  • Vinícola Bambini - (34) 99986-2208. Instagram: @vinicolabambini
  • Vinícola Alma Rios - (34) 98857-6356. Instagram: @vinicolaalmarios
  • Casa Bruxel - (34) 3818-2500. Instagram: @casabruxel
  • Víncola Bruma Alta - (34) 3818-2500. Instagram: @brumaalta
  • Vinícola Balerini - (34) 99823-5443. Instagram: @familiabalerini.wine
A colunista viajou a convite da Consevitis e do Sebrae (MG). 
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